A professora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ganhou destaque nacional e internacional ao liderar pesquisas sobre a polilaminina, um medicamento experimental que já possibilitou a pacientes tetraplégicos a retomada de movimentos e sensibilidade.

Em entrevista recente, Tatiana revelou que o Brasil perdeu a patente internacional da substância após cortes de recursos entre 2015 e 2016, durante a transição entre os governos Dilma Rousseff e Michel Temer. A falta de financiamento teria comprometido a proteção da inovação em escala global, apesar de seu potencial científico.

O que é a polilaminina

  • Trata-se de uma versão recriada em laboratório da proteína laminina, descrita pela pesquisadora como tendo formato de cruz — motivo pelo qual muitos a chamam de “proteína de Deus”.
  • A polilaminina forma uma malha biológica capaz de orientar o crescimento e a reconexão dos neurônios.
  • Após mais de 25 anos de pesquisa, os estudos já mostraram resultados promissores em pacientes com lesões graves na medula espinhal, historicamente consideradas irreversíveis.

Seis pacientes tetraplégicos tratados com a substância apresentaram recuperação parcial de movimentos e autonomia funcional, um marco para a ciência brasileira. A descoberta é considerada uma das mais promissoras apostas na área de terapia regenerativa.

A Anvisa já autorizou os primeiros testes clínicos com a polilaminina, abrindo caminho para avaliação em larga escala. O avanço coloca o Brasil em posição de destaque na pesquisa de soluções para lesões medulares e reforça a importância da ciência nacional em temas de alta complexidade médica.