A saúde bucal no Distrito Federal enfrenta um cenário alarmante devido à carência de profissionais na rede pública. Um levantamento realizado pelo Sindicato dos Odontologistas do Distrito Federal (SODF) revelou que 45,5% dos cargos destinados a cirurgiões-dentistas estão desocupados, resultando em um déficit de aproximadamente 659 profissionais. Essa lacuna impacta diretamente os serviços odontológicos oferecidos à população, dificultando o acesso ao atendimento básico.

Déficit histórico agrava o quadro atual

Atualmente, o DF conta com 641 cirurgiões-dentistas para atender uma população de 2,9 milhões de pessoas, sem incluir os moradores da Região do Entorno, que frequentemente dependem dos serviços da capital. Para se ter ideia da disparidade, enquanto outras regiões do Brasil alcançaram cerca de 40% de cobertura em atendimentos odontológicos primários, o DF atinge apenas 18%, segundo o Ministério da Saúde. Esse índice reflete o desafio crônico da capital em garantir assistência bucal à sua população.

O problema, no entanto, não é novo. Dados de 2015 do DataSUS já apontavam que a cobertura de saúde bucal no DF era a menor do país, com apenas 29,62%, muito abaixo da média nacional de 52,87%. Apesar de algumas iniciativas ao longo dos anos, os números atuais mostram que os avanços foram insuficientes.

Nomeações insuficientes e entraves orçamentários

Em 2022, a Secretaria de Saúde do DF realizou um concurso público para o cargo de cirurgião-dentista, culminando na nomeação de 125 profissionais em fevereiro de 2023. Contudo, a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2024, que previa a nomeação de 50 dentistas, teve os recursos realocados para outras demandas governamentais, frustrando expectativas.

Para 2025, a LOA projeta o chamamento de 336 cirurgiões-dentistas, o que, segundo o SODF, é essencial para reduzir o impacto do déficit na rede pública. “Precisamos que essas nomeações saiam do papel. Os números mostram um problema grave que afeta diretamente a saúde da população. A carência de profissionais compromete o acesso aos serviços básicos e agrava problemas que poderiam ser evitados com o atendimento preventivo”, destaca Carlos Sobral, presidente do SODF.

Impacto na atenção básica e na população mais vulnerável

O déficit de dentistas também afeta a qualidade do atendimento em programas fundamentais, como as equipes de Saúde da Família, responsáveis por promover ações preventivas e atendimentos primários. Essas lacunas resultam em sobrecarga para os poucos profissionais disponíveis e aumento na demanda por atendimentos de urgência e emergência, que poderiam ser evitados com cuidados básicos regulares.

As populações mais vulneráveis são as que mais sofrem com essa situação, especialmente crianças, idosos e pessoas de baixa renda, que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). A falta de acesso a tratamentos odontológicos pode gerar complicações graves, desde infecções até problemas cardiovasculares relacionados à má saúde bucal.

Mobilização por avanços concretos

O SODF segue mobilizado para garantir que as nomeações previstas para 2024 e 2025 sejam efetivadas. Além disso, o sindicato cobra investimentos em infraestrutura, melhores condições de trabalho para os profissionais da rede pública e a ampliação das políticas de prevenção.

“A saúde bucal precisa ser tratada como prioridade em saúde pública. Não é apenas uma questão estética, mas de saúde integral. É preciso mais diálogo entre governo, profissionais e a sociedade para que possamos avançar”, reforça Sobral.

O futuro da saúde bucal no DF

Embora a previsão de nomeações para 2025 seja um alento, especialistas alertam que apenas o aumento no número de profissionais não será suficiente. A solução também passa pela revisão de estratégias de gestão, melhorias na infraestrutura das unidades de saúde e investimentos em campanhas educativas para conscientizar a população sobre a importância do cuidado bucal.

A expectativa agora recai sobre o compromisso do governo em cumprir as nomeações previstas e priorizar recursos para a saúde bucal, garantindo que os moradores do Distrito Federal tenham acesso a um serviço de qualidade.

Imprensa Brasília seguirá acompanhando os desdobramentos desse cenário e cobrindo ações e iniciativas voltadas para melhorar a saúde bucal na capital federal. Afinal, sorrir sem dor é um direito de todos.