Uma nova pesquisa publicada na revista Neurology destaca os fatores que aumentam significativamente o risco de um acidente vascular cerebral (AVC) mais grave. O estudo, que utilizou dados do estudo internacional INTERSTROKE, revelou que hipertensão, tabagismo e fibrilação atrial são os principais fatores associados a desfechos mais severos.
Os pesquisadores analisaram dados de pacientes de 32 países entre 2007 e 2015 e descobriram que pessoas com hipertensão têm um risco 3,2 vezes maior de sofrer um AVC severo em comparação com aquelas com pressão normal. A fibrilação atrial, um tipo de arritmia cardíaca, aumenta esse risco em 4,7 vezes, enquanto o tabagismo praticamente duplica a probabilidade de um AVC grave.
A neurologista Gisele Sampaio Silva, do Hospital Israelita Albert Einstein, explicou que esses fatores têm efeitos diretos sobre a dinâmica vascular e a coagulação. A hipertensão pode causar hemorragias cerebrais devido à ruptura de vasos, a fibrilação atrial frequentemente resulta em embolias grandes e graves, e o cigarro acelera o enrijecimento arterial e reduz a elasticidade vascular.
Além desses fatores, o estudo também avaliou condições como diabetes, colesterol alto, consumo de álcool, qualidade da dieta, sedentarismo e circunferência abdominal. Embora esses sejam fatores de risco para AVC, não foram encontradas associações tão fortes com a gravidade do evento.
Os especialistas alertam que a gravidade de um AVC depende de múltiplos fatores, incluindo a localização e extensão do dano. Quando afeta áreas críticas, como o tronco cerebral, causa déficits mais graves. Entre os tipos de AVC, os hemorrágicos tendem a ser mais graves do que os isquêmicos.
Os tratamentos são mais eficazes quanto mais cedo forem administrados, por isso é fundamental estar atento aos sinais de um AVC e procurar atendimento médico de emergência o quanto antes.
