A melatonina, hormônio naturalmente produzido pelo cérebro para regular o ciclo do sono, tornou-se um dos suplementos mais populares entre pessoas que enfrentam dificuldades para dormir. Comercializada em comprimidos, gotas e até balas de goma, ela é vista por muitos como uma solução rápida para noites maldormidas. No entanto, especialistas alertam que o uso indiscriminado e prolongado da substância não é inofensivo e pode trazer riscos à saúde.
Pesquisas recentes apontam que, embora a melatonina seja útil em casos específicos — como distúrbios do ritmo circadiano, jet lag ou em pacientes com deficiência comprovada na produção natural do hormônio — seu consumo contínuo sem acompanhamento médico pode gerar efeitos adversos. Entre os riscos levantados estão alterações hormonais, impacto no sistema cardiovascular e possíveis consequências para o metabolismo. Há estudos que sugerem associação entre o uso prolongado e maior risco de insuficiência cardíaca, embora ainda não exista consenso definitivo.
Outro ponto de preocupação é a automedicação. Por ser vendida livremente em farmácias e até em lojas online, muitas pessoas recorrem à melatonina sem orientação profissional, acreditando que se trata de um suplemento “natural” e, portanto, seguro. Essa percepção é enganosa: mesmo substâncias naturais podem causar efeitos colaterais quando usadas de forma inadequada.
Médicos reforçam que a melatonina não deve ser vista como solução universal para insônia. O tratamento desse distúrbio envolve múltiplos fatores, como higiene do sono, hábitos de vida e, em alguns casos, acompanhamento psicológico. O uso do hormônio pode ser indicado em situações específicas, mas sempre com prescrição e monitoramento.
Em resumo, a melatonina pode ser uma aliada importante em determinados contextos, mas seu uso prolongado sem orientação médica representa um risco. O debate atual reforça a necessidade de cautela e de informação clara para que o suplemento seja utilizado de forma responsável, evitando que uma solução aparente se transforme em problema de saúde a longo prazo.
