A pré-eclâmpsia é uma das complicações mais graves da gravidez, caracterizada pelo aumento da pressão arterial e por sinais de comprometimento de órgãos, geralmente após a 20ª semana de gestação. Essa condição está entre as principais causas de mortalidade materna e neonatal no Brasil e no mundo, tornando-se um grande desafio para a saúde pública. Diante desse cenário, a suplementação de cálcio passou a ser considerada uma estratégia relevante de prevenção, já que estudos demonstram que o mineral desempenha papel importante na regulação da pressão arterial e na saúde vascular.
O cálcio atua em mecanismos que ajudam a relaxar os vasos sanguíneos e a reduzir a liberação de hormônios que elevam a pressão, o que pode diminuir significativamente o risco de desenvolvimento da pré-eclâmpsia. Pesquisas científicas, incluindo metanálises da Cochrane, apontam que a suplementação diária de cerca de 1 grama de cálcio pode reduzir em até 55% a incidência da doença, além de diminuir a ocorrência de partos prematuros e complicações graves. A Organização Mundial da Saúde recomenda a suplementação em populações onde a ingestão alimentar de cálcio é insuficiente, reforçando que os maiores benefícios são observados em gestantes com dietas pobres nesse nutriente.
No Brasil, o Ministério da Saúde publicou em 2024 a Nota Técnica nº 251, que estabeleceu a suplementação universal de cálcio para todas as gestantes atendidas na Atenção Primária. A decisão foi tomada considerando a alta mortalidade materna no país e a dificuldade de avaliar individualmente a ingestão de cálcio durante o pré-natal. A medida prevê a distribuição de comprimidos de carbonato de cálcio, em doses de 1,2 gramas por dia, como parte da rotina de acompanhamento das gestantes. Essa política pública busca reduzir a morbimortalidade materna e infantil, especialmente entre populações mais vulneráveis, como mulheres negras e indígenas, que apresentam maior incidência de complicações hipertensivas.
Apesar dos avanços, ainda existe debate entre especialistas sobre a eficácia da suplementação universal. Algumas pesquisas recentes sugerem que os benefícios podem variar conforme o perfil nutricional das gestantes, indicando que a maior proteção ocorre em populações com baixa ingestão de cálcio. Mesmo assim, diante da gravidade da pré-eclâmpsia e da dificuldade de garantir que todas as mulheres tenham uma dieta adequada, a estratégia foi considerada necessária como medida preventiva em larga escala.
Logo, a suplementação de cálcio durante a gestação representa uma ferramenta importante para reduzir o risco de pré-eclâmpsia e proteger a saúde materna e neonatal. Embora não substitua uma alimentação equilibrada e o acompanhamento médico, ela se tornou parte das políticas públicas brasileiras como forma de ampliar a segurança das gestantes. Cuidar da saúde materna envolve não apenas consultas e exames, mas também estratégias nutricionais seguras e eficazes, e o cálcio, quando bem indicado e monitorado, é hoje uma das mais relevantes.s.
