O cenário eleitoral do Distrito Federal começa a ganhar novos contornos à medida que a sucessão ao Palácio do Buriti deixa o campo das especulações e passa a atrair movimentos mais claros. Além dos nomes já conhecidos — Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT) e Paula Belmonte (PSDB) — surge agora um personagem que começa a ser observado com mais atenção nos bastidores: o advogado Kiko Caputo.
Ex-presidente da OAB-DF, Caputo carrega um perfil institucional pouco comum nas últimas disputas majoritárias locais: não vem do Executivo, não tem mandato eletivo e construiu sua trajetória à frente de uma entidade de classe com forte peso político, mas sem inserção direta na máquina governamental. Esse histórico, ao mesmo tempo que lhe confere capital simbólico, também impõe um desafio central: superar a percepção de distanciamento da realidade cotidiana da população.
Nos últimos dias, Caputo esteve em Sobradinho e também passou por regiões como Guará e Ceilândia, ampliando sua presença em diferentes áreas administrativas. A circulação pelo DF tem sido lida, nos bastidores, como uma tentativa deliberada de quebrar a imagem de liderança restrita a círculos jurídicos e empresariais — um rótulo que costuma limitar candidaturas oriundas de espaços institucionais tradicionais.


A estratégia indica um esforço de reposicionamento político: menos discurso técnico e mais aproximação com temas ligados a serviços públicos, desigualdade urbana e funcionamento do Estado fora do Plano Piloto. Trata-se de uma mudança necessária para qualquer nome que pretenda disputar o governo em um eleitorado historicamente sensível à sensação de abandono e à concentração de poder.
Ainda sem partido definido ou estrutura eleitoral formalizada, Caputo não aparece, neste momento, como candidato consolidado, mas como um vetor de reorganização do debate. Sua presença amplia o espectro de opções e pode pressionar adversários a recalibrar narrativas, sobretudo aqueles que tentam se apresentar como “novos”, apesar de trajetórias já conhecidas.
Se conseguirá transformar circulação territorial em densidade política é uma incógnita. No Distrito Federal, o histórico mostra que capital institucional não se converte automaticamente em voto. A disputa, mais uma vez, deve se definir pela capacidade de traduzir discurso em identificação popular — especialmente para quem precisa, antes de tudo, provar que não fala apenas para a elite.

