O assassinato do menino João Miguel, de apenas 10 anos, em 2024, permanece como um dos episódios mais brutais e emblemáticos da violência urbana no Distrito Federal. O crime, ocorrido em Sobradinho II, teria sido motivado por supostos furtos cometidos pelo garoto na casa de vizinhos, incluindo o desaparecimento de um cavalo.

O crime

Segundo as investigações, João Miguel foi atraído e executado por adolescentes, em um ato de retaliação. O corpo foi ocultado em circunstâncias que revelaram a participação de adultos na trama. O vizinho da família, Jackson, acabou acusado de ocultação de cadáver e corrupção de menores, apontado como figura central na articulação do crime.

Contexto familiar

A tragédia ganhou contornos ainda mais dramáticos pela situação dos pais.

  • O pai, João Francisco da Silva, estava preso na época e não pôde comparecer ao velório por falta de escolta policial.
  • A mãe, Daniela Soares, havia sido detida dias antes, investigada por suposta ligação com a facção PCC.

Isso fez com que o sepultamento do menino ocorresse sem a presença dos dois, ampliando a comoção pública.

Repercussão

O caso expôs a vulnerabilidade de crianças em ambientes marcados por violência e criminalidade, além de levantar debates sobre a responsabilidade de adultos que envolvem menores em práticas criminosas. A brutalidade da execução e o contexto de abandono familiar chocaram a sociedade brasiliense.

O reencontro tardio

Somente agora, em fevereiro de 2026, o pai pôde se despedir do filho no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. O momento emocionou familiares e reacendeu a lembrança de um crime que se tornou símbolo da necessidade de políticas mais eficazes de proteção à infância e enfrentamento da criminalidade organizada.