A frase atribuída ao Papa Leão XIV“precisamos desarmar a linguagem” — soa como um chamado urgente para os nossos tempos. Vivemos em uma era marcada por respostas rápidas, sarcasmo e julgamentos virtuais, em que a palavra muitas vezes se transforma em arma. A espiritualidade cristã, porém, nos convida a outro caminho: o da pausa, da escuta e do domínio próprio.

Na tradição da Quarta-feira de Cinzas, o gesto de receber as cinzas não é apenas um rito externo, mas um lembrete de que a vida é frágil e que o coração precisa reaprender o essencial. O convite da Quaresma é claro: trocar a palavra que fere pelo silêncio que acolhe. Esse é o verdadeiro jejum espiritual, que prepara o coração para a Páscoa.

Praticar esse jejum exige oração, vigilância e coragem. É conter a língua para abrir espaço ao amor. É perceber que, quando a boca se enche de ofensas e ruídos, os ouvidos se fecham para Deus e para a dor do irmão.

Uma prática concreta pode ser simples: antes de responder ou reagir, respirar fundo e perguntar a si mesmo — “minhas palavras vão curar ou ferir?”. Esse exercício transforma o cotidiano em espaço de conversão e nos lembra que a fé também se ensina com calma, com gestos e com verdade.