A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), um dos ícones da biodiversidade brasileira, havia sido declarada extinta na natureza no início dos anos 2000, vítima do tráfico de animais e da destruição de seu habitat. Desde então, só existiam em cativeiro, sob cuidado de programas internacionais de reprodução.
Após anos de cooperação entre instituições brasileiras, como o ICMBio, e organizações internacionais, a espécie voltou ao ambiente natural. Em 2022, oito aves foram libertadas no município de Curaçá (BA), e em 2025 outras 41 chegaram ao país para reforçar a população. Hoje, já é possível ver novamente o voo azul contrastando com a vegetação seca da caatinga.
A repercussão desse retorno não se limita à ciência. A ararinha-azul ganhou fama mundial após inspirar a personagem principal da animação Rio (2011), produzida pela Blue Sky Studios. No longa, a trama retratava justamente os riscos de extinção da espécie e a luta contra o tráfico ilegal de aves. O sucesso do filme levou milhões de pessoas a conhecerem a realidade da ararinha e despertou um debate global sobre a conservação da fauna brasileira.
Segundo especialistas, essa popularidade ajudou a mobilizar recursos e apoio internacional. “O cinema aproximou o público da causa. Sem essa visibilidade, talvez o projeto não tivesse a mesma força”, relatam pesquisadores ligados ao programa de conservação.
Ainda assim, os desafios permanecem. Em julho deste ano, um surto de circovírus, conhecido como “doença do bico e das penas”, foi identificado em aves de cativeiro e até em um filhote já solto. A ameaça acendeu o alerta para que a espécie, que conta hoje com cerca de 330 indivíduos no mundo, não volte a desaparecer da natureza.
