A Embrapa Rondônia anunciou a coordenação do primeiro sistema de benchmarking da cadeia produtiva da castanha-da-amazônia — também conhecida como castanha-do-brasil ou castanha-do-pará. A iniciativa é considerada inédita e pode representar um marco para a bioeconomia da região, ao estabelecer indicadores padronizados de eficiência e competitividade para um dos produtos mais emblemáticos da floresta.
O projeto foi selecionado no edital Projetos de Pesquisa em Economia Sustentável na Amazônia, promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) com apoio do Bezos Earth Fund. Entre 221 propostas apresentadas por instituições científicas da região, apenas seis foram aprovadas, o que reforça a relevância da iniciativa. A ferramenta pretende preencher uma lacuna histórica: até hoje, não havia um sistema estruturado de comparação entre empresas e cooperativas que atuam no beneficiamento da castanha.
Segundo a Embrapa, o benchmarking permitirá avaliar eficiência industrial, qualidade do produto, sustentabilidade ambiental e impacto socioeconômico. A expectativa é que os dados gerados sirvam de base para políticas públicas, atração de investimentos e fortalecimento da cadeia produtiva, que envolve milhares de extrativistas e comunidades tradicionais.

A castanha-da-amazônia é considerada um dos pilares da bioeconomia regional, com alto valor nutricional e crescente demanda internacional. No entanto, enfrenta desafios como baixa produtividade, falta de padronização e dificuldades logísticas. Com a criação de indicadores claros e comparáveis, o setor poderá identificar gargalos, adotar melhores práticas e ampliar sua competitividade global.
Especialistas avaliam que o sistema pode se tornar um modelo replicável para outras cadeias da sociobiodiversidade amazônica, como açaí, cupuaçu e andiroba. Mais do que uma ferramenta de gestão, o benchmarking da castanha representa um passo estratégico para consolidar a Amazônia como protagonista na economia verde e sustentável.
