Mostra gratuita acontece nos dias 6 e 7 de dezembro na Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, na Chapada dos Veadeiros
O 6º CineFest São Jorge – Edição de Quintal retorna à Chapada dos Veadeiros em
formato intimista para celebrar o cinema realizado na região. Realizado nos dias 6 e 7 de
dezembro, na Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, o festival apresenta uma seleção de
curtas produzidos na Chapada e reforça sua função como espaço de exibição e encontro
para realizadores, moradores e turistas. A entrada é gratuita.
Idealizado por Betânia Victor, o festival nasceu da necessidade de criar um espaço local de
exibição, já que não há salas de cinema em São Jorge, embora a vila seja conhecida por
sua potência cultural. Desde a primeira edição, a proposta foi reunir moradores, visitantes e
cineastas em torno de uma tela aberta no coração da vila. Para muitos dos moradores, o
Cinefest é a única oportunidade de assistir filmes na telona.
Em 2025, o CineFest mantém esse espírito ao trazer uma programação que alterna curtas
documentais, ficções, videoclipes e experimentais, além de uma sessão infantil dedicada às
crianças da Chapada. “A mostra deste ano reforça a produção local e celebra quem
escolheu filmar aqui. Cada título carrega um olhar próprio sobre o território, sua gente e
seus modos de vida. É um momento importante para quem faz cinema e para quem vive na
Chapada”, afirma Betânia Victor, idealizadora e produtora executiva do CineFest.
Betânia, que se divide entre suas casas em Brasília e em São Jorge, realizou ela mesma
seu filme sobre a Chapada. O Fazedor de Mirantes, filme que ela dirigiu ao lado de Lucas
Franzoni, e foi exibido primeiramente no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, poderá
ser visto no domingo, dentro da mostra principal do Cinefest.
A curadoria desta edição é formada pelo premiado cineasta Eduardo Ramos Quirino, pelo
diretor, roteirista e produtor João Paulo Procópio e pela produtora Rosane Amaral, todos
moradores de Brasília, mas frequentadores da Chapada e apaixonados pelo cerrado. “Foi
muito interessante tomar contato com a quantidade e a qualidade das obras inscritas no
festival e que têm em seus argumentos não apenas a beleza natural da Chapada, mas sua
cultura, seus aspectos místicos e seus costumes. Dá para sentir em cada frame o impacto
que a paisagem e seus personagens causaram nos cineastas e em suas obras,” afirma
Eduardo.
Homenagens
Além da seleção principal, o festival segue a tradição de homenagear profissionais do
audiovisual e os moradores da Chapada dos Veadeiros. Neste ano, presta homenagem ao
técnico de cinema Tony Boleli, profissional cuja trajetória se conecta diretamente com o
audiovisual do Centro-Oeste, e à comunidade por meio de Ion David, fotógrafo, canionista,
pioneiro do ecoturismo na Chapada e que há décadas registra a história da região. A
entrega dos troféus para os homenageados acontece no domingo.
Sessão infantil
A programação infantil do CineFest São Jorge foi pensada para apresentar o Cerrado e as
tradições da região às crianças por meio do cinema. Os filmes selecionados combinam
fantasia, natureza, cultura e personagens fortes, criando um primeiro contato com temas
que fazem parte do cotidiano da Chapada. A sessão tem a função de formar público desde
cedo e aproximar meninas e meninos das histórias do território, estimulando curiosidade,
imaginação e o hábito de frequentar atividades culturais na vila.
Sobre o Festival
Criado em 2017, o CineFest São Jorge surgiu para preencher a falta de salas de cinema na
região da Chapada dos Veadeiros. A proposta, desde o início, foi oferecer um espaço de
exibição para filmes independentes realizados no Centro-Oeste brasileiro e aproximar a
comunidade do audiovisual feito no próprio território.
Desde a primeira edição, realizada na Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, o festival se
consolidou como um ponto de encontro anual entre moradores, visitantes e realizadores. Ao
longo dos anos, passou por diferentes formatos, sempre mantendo o foco na produção
regional e na circulação de obras independentes.
Em 2025, na Edição de Quintal, o evento retoma seu formato original de mostra, reunindo
curtas que refletem o olhar de quem vive, pesquisa ou filma na Chapada, reforçando a
vocação do CineFest como plataforma de visibilidade para o cinema feito na região.
SERVIÇO
6o CINEFEST SÃO JORGE – EDIÇÃO DE QUINTAL
6 e 7 de dezembro
Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge – Vila de São Jorge (GO)
Entrada gratuita
PROGRAMAÇÃO
06/12 – SÁBADO
19h – Abertura da casa com DJ
20h – Exibição dos Filmes
Mostra Principal
Meu Grande Amor
Tingui
De lá pra cá daqui pra lá
Entre as Cinzas
Curso de Farinha de Mandioca da Dona Conceição com as crianças do Moinho
Corre Cutia
Pontão de Cultura Indígena
07/12 – DOMINGO
16h – Sessão Infantil
Thiago & Ísis e os Biomas do Brasil – Cerrado
Encantos para Omo e Oyá Sessão
18h – Debate com realizadores – Mediação: João Campos
Bate-papo sobre o videoclipe Meu Grande Amor
Com a presença da artista Pôli Möräes
19h – Abertura da casa com DJ
20h – Mostra Principal
Homenagens a Tony Boleli e a Ion David
O Moinho é Meu Mundo
Tempo de Folia
O Casulo
Meada Cor Kalunga
O Caminho do Cerrado
O Fazedor de Mirantes
São Jorge
SINOPSES
SELEÇÃO OFICIAL
Corre Cutia
2024, 21 min, ficção
Direção: Paulo Vianna
Com Maria Helena Anjos, Alexandre Adas e Adriana Castellanos
Sinopse: Através do Cinema de Arte e Ficção, Corre Cutia apresenta a jornada do
anti-herói, Enganado, um caçador que está em busca de um dos animais símbolo da
Chapada dos Veadeiros. O clímax dessa história acontece quando ele se vê envolto em
meio a uma ciranda de seres encantados da savana brasileira, o Cerrado.
Curso de Farinha de Mandioca da Dona Conceição com as crianças do Moinho
2024, 10 min, documentário
Direção: Renata Ferreira Franco
Com Dona Conceição
Sinopse: Neste documentário mergulhamos no saber tradicional de Dona Conceição,
mestra do saber quilombola do Povoado do Moinho, que ensinou as crianças da
comunidade o passo a passo da produção artesanal da farinha de mandioca. Da colheita à
torra, cada gesto carrega história, resistência e o afeto de quem mantém viva essa herança.
De lá pra cá daqui pra lá
2024, 3 min, documentário/experimental
Direção: Mateus Rosaz
Sinopse: O filme narra a busca pelas conexões entre biomas e paisagens através de uma
narrativa subjetiva que, por vezes, o caminho nos leva do passado ao futuro, trazendo
algum sentido pro presente. Esse filme foi realizado em bitola super 8mm.
Entre as Cinzas
2025, 23, documentário
Direção: Daniel Calil e Renato Ogata
Com Alex Gomes, Brigada Voluntária de São Jorge e Rede Contra Fogo
Sinopse: No Brasil, os incêndios florestais criminosos são a principal causa do
desmatamento e se tornam arma para os grileiros. Alex Gomes, líder de uma Brigada
Voluntária, combate incêndios exaustivos e perigosos na tentativa de salvar sua
comunidade e o meio ambiente.
Meada Cor Kalunga
2023, 23 min, documentário
Direção: Marta Kalunga, Alcileia Torres e Analu Reis de Sá
Com Dirani Kalunga e Marta Kalunga
Sinopse: As cumades Marta Kalunga e Dirani Kalunga, preparam as meadas e o tingimento
com pigmentos naturais no quilombo Vão de Almas de Goiás, enquanto tecem memórias e
trocam conhecimentos ancestrais.
O Caminho do Cerrado
2022, 4 min, documentário
Direção: Melissa Maurer
Com Mohara Melo
Sinopse: O Caminho do Cerrado [2016]: Projeto autoral da fotógrafa Melissa Maurer é um
convite à reflexão e um grito de alerta sobre o cenário atual do bioma. A estrada que liga
Brasília – capital do Brasil ao Patrimônio Natural da Humanidade (UNESCO) – Parque
Nacional da Chapada dos Veadeiros, está virando um deserto verde, pela ação crescente e
agressiva do agronegócio. O projeto fotográfico possui cunho artístico e ao mesmo tempo
um olhar criterioso sobre a relação do Ser Humano com a Natureza.
O Casulo
2025, 8 min, experimental
Direção: Biophillick + Gustavo Floering
Sinopse: BIO, um Indígena LGBTQIA+ (queer) busca refúgio na mata após ser vítima de
violência. Em comunhão com a natureza, inicia um ritual de cura e renascimento,
costurando ao redor de si uma roupagem orgânica; um casulo vivo. Ali, em silêncio e
transformação, prepara-se para emergir como um ser místico alado.
O Moinho é Meu Mundo
2025, 5 min, videoclipe
Direção: Natalia Vitral
Com Marinho MC, Rapadura, Ulisses Soares e Dona Deija
Sinopse: O Moinho é Meu Mundo retrata uma vivência no Povoado Quilombola do Moinho
localizado na Chapada dos Veadeiros, território ancestral e rico, o videoclipe trás figuras importantes da comunidade e trás protagonismo pra cultura tradicional e os povos
originários.
São Jorge
2025, 18 min, documentário
Direção: Lívia Barros
Com Valtinho das Pedras, Sr. Donizete, Téia, Benedita, Marcus e Raphael Veiga
Sinopse: Membros da comunidade de São Jorge contam suas histórias e sua relação com o
turismo. Um documentário promovido pela UnB com liderança do Centro de Excelência em
Turismo e supervisionado pela Professora Lívia Barros. Emocionante até para quem não
está na comunidade.
Tempo de Folia
2024, 20 min, documentário
Direção: Nalu Mendes e Natália Vitral
Com Seu Dominguinhos, Dona Isabel, Seu Sebastião, Tião, Seu Zézin, Dona Mariona,
Zimar
Sinopse: Tempo de Folia é um curta-metragem documentário que retrata um pouco da
história e cultura das Folias na Vila de São Jorge e região, reforçando a importância da
tradição e da cultura popular brasileira, mostrando como esses eventos podem unir
comunidades através dos festejos e da fé.
Tingui
2025, 24 min, documentário
Direção: Nalu Mendes e Natália Vitral
Com Dona Flor, Dona Deija, Wilson Leite e Marinho Mc
Sinopse: “Tingui” é um documentário que nos leva ao coração da comunidade quilombola
do Moinho, onde a mestra Dona Flor compartilhou ao longo de sua vida sua sabedoria
ancestral sobre as plantas medicinais. Desde a infância, Dona Flor possui uma profunda
conexão com a natureza. Conhecedora dos mistérios das ervas, foi uma renomada raizeira
e parteira da região da Chapada dos Veadeiros. O curta-metragem não é somente uma aula
sobre a feitura do tradicional sabão de Tingui, mas uma homenagem à vida de Dona Flor e
sua contribuição inestimável para a sua comunidade.
FILMES CONVIDADOS
Meu Grande Amor
2025, 3 min, videoclipe
Direção: Natália Vitral
Com Pôli Möräes, Brayan, Gardênia, Melissa, Kauan e David
Sinopse: O videoclipe “Meu Grande Amor” trata da maternidade solo e das dificuldades
enfrentadas pelas mães ao longo desse processo, como cobranças sociais, exclusão e
subestimação, além da conexão entre a mãe e seu filho. Uma reflexão acerca das jovens
que se tornaram mães na adolescência e tiveram que lidar com os julgamentos alheios e
escolhas difíceis.
Pontão de Culturas Indígenas
2025, 17 min, documentário
Direção: JP Tupinambá, Ester de Maria, Ana Ferrareze, Marjorie Yamaguti
Sinopse: O curta mostra o histórico de realização do Pontão de Culturas Indígenas entre
2024 e 2025, com ações de formação, articulação, mapeamento, pesquisa e diagnóstico de
Pontos de Cultura indígenas de todas as regiões e estados do Brasil. Uma ação da
sociedade civil organizada em parceria com o Ministério da Cultura que promove e fortalece
as culturas dos povos indígenas do Brasil, por meio da Política Nacional de Cultura Viva.
O Fazedor de Mirante
2025, 19 min, documentário
Direção: Betânia Victor e Lucas Franzoni
Com João Fernandes
Sinopse: A história da transformação da Vila de São Jorge, do garimpo ao ecoturismo,
contada pelo olhar do fotógrafo João Fernandes, que registrou essa transformação com
fotos e vídeos, e sua contribuição para a acessibilidade aos atrativos naturais do cerrado
com a construção de mirantes, permitindo que mais pessoas pudessem apreciar a beleza
local.
SESSÃO INFANTIL
Thiago & Ísis e os Biomas do Brasil – Cerrado
2024, 34 min, documentário/animação
Direção: João Amorim
Com Paulo Henrique, Neusa de Souza, Falcon Mantovanne, Rubinho Louzada e Evelin
Cristina
Sinopse: No Cerrado, acompanham a reintrodução de Pequi, uma lobinha-guará,
descobrindo a relação entre os lobos, os cupins e a Lobeira. Combinando fantoches,
animação, clipes musicais e linguagem documental, o filme transforma o aprendizado sobre
biodiversidade em uma experiência lúdica e envolvente.
Encantos para Omo e Oyá Sessão
2025, 15 min, ficção
Direção: Antonio Balbino
Com Alice Silva, Mariana Martinne, Bete Virgens e Rafa Soul
Sinopse: Um final de semana num local sagrado onde Bia, Janaína, Humberto e Iyá têm um
“encontro encantado” com a ancestralidade e assim esta família em formação estreita
docemente seus laços afetivos.

