Os sindicatos empresariais que representam setores estratégicos do comércio no Distrito Federal reconduziram, por unanimidade, seus atuais dirigentes para um novo mandato até 2030. As eleições ocorreram nesta semana, em chapa única, e garantiram a continuidade das gestões à frente das entidades que atuam nos segmentos de livrarias, papelarias, açougues, minimercados, floriculturas e feiras.

Foram reeleitos José Aparecido Freire, no Sindicato das Empresas de Livrarias e Papelarias do Distrito Federal (Sindipel-DF); Joaquim do Santos, no Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios, Açougues, Minimercados e Similares do DF (Sindigêneros-DF); e Francisco Valdenir, no Sindicato dos Feirantes do Distrito Federal (Sindifeira-DF). As posses estão previstas para ocorrer entre os meses de fevereiro e março.

As eleições dos sindicatos empresariais antecedem o pleito da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), programado para maio deste ano, que definirá a próxima diretoria da entidade que congrega 27 sindicatos patronais no DF.

Livrarias e papelarias

À frente do Sindipel-DF desde 2001, José Aparecido Freire também ocupa a presidência do Sistema Fecomércio-DF desde 2021. Empresário do setor de papelarias e livrarias, ele representa aproximadamente 2 mil empresas no Distrito Federal.

Entre as principais iniciativas de sua trajetória está a idealização do Cartão Material Escolar (CME), programa que reformulou a lógica de aquisição de materiais escolares para estudantes da rede pública. Antes de sua implementação, grande parte dos recursos destinados ao benefício era direcionada a grandes fornecedores de fora do DF.

Com a transformação do CME em política pública permanente, por meio da Lei nº 6.273, de 2019, os recursos passaram a circular dentro do Distrito Federal, fortalecendo especialmente pequenas papelarias localizadas em regiões administrativas fora do Plano Piloto. O modelo contribui para a geração de emprego e renda, amplia a arrecadação local e garante mais autonomia às famílias beneficiadas, que podem escolher diretamente os itens nas lojas credenciadas.

“Em 2020, o Cartão Material Escolar atendeu cerca de 300 papelarias e beneficiou aproximadamente 100 mil estudantes. Para este ano, a estimativa é alcançar 481 empresas credenciadas e cerca de 172 mil alunos da rede pública”, afirmou Aparecido, destacando que a meta é ampliar gradualmente o programa até atender todos os estudantes da rede pública.

Açougues e floriculturas

Reeleito para seu quarto mandato à frente do Sindigêneros-DF, Joaquim do Santos seguirá com foco na consolidação de projetos estruturantes para um setor que reúne cerca de 19 mil CNPJs no comércio varejista de carnes frescas, gêneros alimentícios, frutas, verduras, flores e plantas no DF.

Entre as ações em destaque estão as missões empresariais anuais para Holambra (SP), referência nacional na cadeia de flores e plantas ornamentais, e a ampliação de programas de qualificação profissional. Em parceria com o Senac-DF, o sindicato viabilizou cursos específicos para açougueiros e floristas, atendendo a uma demanda histórica por mão de obra especializada.

“Havia uma necessidade clara de formação técnica e atualização profissional. Os cursos tiveram excelente retorno, com alta absorção dos alunos pelo mercado. Em 2026, teremos novas turmas ao longo do ano”, explicou Santos.

Feiras do Distrito Federal

No comando do Sindifeira-DF por quatro mandatos consecutivos, Francisco Valdenir inicia mais um ciclo com foco no fortalecimento da representatividade dos feirantes e na ampliação do diálogo institucional com o poder público. Atualmente, o Distrito Federal conta com cerca de 112 feiras públicas e privadas, que reúnem aproximadamente 30 mil feirantes e geram mais de 100 mil empregos diretos e indiretos.

Valdenir destaca a atuação do sindicato na defesa do atual modelo de ocupação das feiras e na construção de marcos regulatórios para o setor, como a Lei nº 6.956/2021, que redefiniu padrões de funcionamento das feiras no DF. Outro marco recente foi a realização da primeira Corrida do Feirante, em agosto, que reuniu mais de mil participantes e passou a integrar o calendário anual da categoria.

Entre as prioridades da nova gestão estão a criação de uma rádio comunitária voltada exclusivamente ao segmento e a realização de ações sociais mensais nas feiras do DF, em parceria com o Sistema Fecomércio-DF, Sesc e Senac.

Os sindicatos empresariais que representam os condomínios residenciais, os representantes comerciais e o varejo de autopeças no Distrito Federal definiram, nesta semana, suas lideranças para mandatos que se estendem até 2030. Duas entidades optaram pela recondução de seus atuais presidentes, enquanto outra inicia um novo ciclo com mudança no comando.

Antônio Carlos Paiva foi reconduzido à presidência do Sindicato da Habitação e Condomínios do Distrito Federal (Sindicondomínio-DF), assim como Sérgio Lúcio de Andrade, que segue à frente do Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos Automotores do DF (Sincopeças-DF). Já no Sindicato dos Representantes Comerciais no Distrito Federal (Sindercom-DF), Milton Carlos da Silva assume a presidência, sucedendo William Vicente Bernardes.

As posses estão previstas para o mês de março. As eleições integram o calendário dos 27 sindicatos empresariais do Distrito Federal e antecedem o processo eleitoral da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do DF (Fecomércio-DF), marcado para maio, além da eleição da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Condomínios

À frente de um segmento que reúne cerca de 7,2 mil empresas no Distrito Federal, Antônio Carlos Paiva destaca como um dos principais avanços de sua gestão a aprovação da Lei nº 14.309/2022, que alterou o Código Civil para autorizar a formação de quórum em assembleias virtuais de condomínios — prática adotada durante a pandemia de Covid-19 e que passou a ter respaldo legal permanente.

Segundo Paiva, a iniciativa teve origem no próprio sindicato e contou com articulação junto à Câmara Legislativa do Distrito Federal e ao Senado Federal, representando um marco para a modernização da gestão condominial no país.

Para o próximo mandato, o presidente aponta como um dos principais desafios a regulamentação técnica para a instalação de sistemas de energia fotovoltaica voltados ao abastecimento de veículos elétricos em condomínios residenciais. Ele alerta que a ausência de parâmetros claros e de redes elétricas adequadamente dimensionadas pode gerar sobrecarga e riscos à infraestrutura, exigindo atenção do poder público e dos gestores condominiais.

Autopeças

Reconduzido à presidência do Sincopeças-DF, Sérgio Lúcio de Andrade reforça a importância das convenções coletivas de trabalho como instrumento de equilíbrio nas relações entre empregadores e empregados em um setor que reúne aproximadamente 5,8 mil empresas no Distrito Federal.

Andrade também destaca a ampliação do acesso dos trabalhadores aos serviços oferecidos pelo Sesc-DF, especialmente na área da saúde, como resultado das ações articuladas pelo Sistema Fecomércio-DF, que tem fortalecido a rede de atendimento ao comércio varejista.

Entre as prioridades da próxima gestão, o presidente chama atenção para os impactos da rápida expansão dos veículos elétricos. Segundo ele, a mudança tecnológica tende a reduzir significativamente a demanda por peças automotivas, impondo desafios estruturais ao setor de autopeças e exigindo estratégias de adaptação por parte das empresas.

Representantes comerciais

Atual tesoureiro do Sindercom-DF e do Conselho Regional dos Representantes Comerciais no Distrito Federal, Milton Carlos da Silva assume a presidência da entidade em um momento de transição na diretoria. Ele afirma que a nova gestão dará continuidade ao fortalecimento institucional do setor, que reúne cerca de 3,4 mil empresas no DF.

Entre as ações previstas estão a ampliação do acesso dos representantes comerciais aos serviços de saúde, esporte e bem-estar oferecidos pelo Sesc-DF, além do planejamento de cursos de qualificação profissional em parceria com o Senac-DF. A proposta é investir na formação contínua e na atualização técnica dos profissionais, acompanhando as transformações do mercado e fortalecendo a competitividade do setor.