por redação Imprensa Brasília
O Supremo Tribunal Federal (STF) agendou para os dias 6 e 7 de maio de 2025 o julgamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra os acusados de fazerem parte do denominado “núcleo 4” da trama golpista que teria ocorrido durante o governo de Jair Bolsonaro. O grupo é acusado de orquestrar ações de desinformação com o objetivo de propagar notícias falsas sobre as eleições de 2022 e de realizar ataques virtuais a instituições e autoridades públicas.
A decisão foi anunciada pelo presidente da Primeira Turma do STF, ministro Cristiano Zanin, responsável por conduzir o julgamento da denúncia no colegiado. Os acusados fazem parte de um grupo que, segundo as investigações, trabalhou de maneira articulada para desacreditar o processo eleitoral e criar um clima de instabilidade durante o período pós-eleitoral.
O núcleo 4 é composto por oito pessoas, incluindo militares e civis, que seriam responsáveis por coordenar as ações de desinformação e os ataques às instituições democráticas. Os denunciados são:
- Ailton Gonçalves Moraes Barros (major da reserva do Exército)
- Ângelo Martins Denicoli (major da reserva)
- Giancarlo Gomes Rodrigues (subtenente)
- Guilherme Marques de Almeida (tenente-coronel)
- Reginaldo Vieira de Abreu (coronel)
- Marcelo Araújo Bormevet (policial federal)
- Carlos Cesar Moretzsohn Rocha (presidente do Instituto Voto Legal)
A PGR acusa o grupo de se envolver em atividades fraudulentas para manipular a opinião pública e comprometer a confiança nas eleições de 2022, além de incitar ataques virtuais contra figuras do governo e do STF.
A análise da denúncia será feita pela Primeira Turma do STF, composta pelo relator Alexandre de Moraes, juntamente com os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux. A decisão sobre se os acusados se tornarão réus será tomada por essa turma, que avaliará se há provas suficientes para o prosseguimento da ação penal.
Caso a maioria dos ministros aceite a denúncia, o grupo passará a ser formalmente processado e responderá a uma ação penal, enfrentando possíveis condenações pelos crimes de desinformação, incitação à violência e outros delitos relacionados à tentativa de desestabilização do processo eleitoral.
Até o momento, o julgamento dos núcleos acusados de envolvimento na trama golpista segue seu curso no STF. Na manhã de hoje (26), o tribunal decidiu, por unanimidade, tornar réu o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados, acusados de crimes relacionados ao golpe de Estado e à tentativa de desestabilizar a democracia.
Além disso, o julgamento do chamado “núcleo 2”, que envolve seis pessoas acusadas de tentar sustentar a permanência de Bolsonaro no poder após a derrota nas urnas, será realizado nos dias 29 e 30 de abril. Já a análise da denúncia contra o “núcleo 3” ocorrerá nos dias 8 e 9 de abril, envolvendo um grupo de 12 militares e um policial federal, acusados de planejarem as ações táticas para a execução do golpe.
O julgamento do núcleo 4 promete ser mais um capítulo importante nas investigações sobre os eventos pós-eleitorais de 2022 e a tentativa de subverter o processo democrático no Brasil. A atuação de grupos organizados, como este núcleo acusado de desinformação, levanta questões cruciais sobre a integridade das eleições e a segurança das instituições democráticas.
Os próximos meses serão decisivos para o futuro judicial dos acusados e para o desenrolar das investigações sobre a trama golpista. Com o julgamento marcado para o início de maio, o STF dará continuidade ao processo, determinando a responsabilidade dos envolvidos em tentar minar a confiança da população nas eleições e nas autoridades constitucionais.