Um estudo internacional publicado na revista Nature Communications em agosto de 2025 concluiu que mulheres possuem uma carga genética mais elevada para desenvolver depressão em comparação aos homens. A pesquisa, conduzida pela Universidade de Queensland (Austrália), analisou mais de 195 mil casos clínicos e é considerada a maior metanálise já realizada sobre diferenças genéticas entre os sexos no Transtorno Depressivo Maior (TDM).

O que o estudo descobriu

  • Predisposição genética feminina: As variantes genéticas associadas à depressão são mais numerosas e significativas em mulheres. Isso ajuda a explicar por que os índices da doença são historicamente maiores entre elas.
  • Diferença entre os sexos: Nos homens, foi identificada pela primeira vez uma variante genética exclusiva, localizada no cromossomo X herdado da mãe. Ainda assim, os pesquisadores observaram que as variantes masculinas são um subconjunto das encontradas em mulheres.
  • Associação com outras condições: No sexo feminino, há maior sobreposição genética entre depressão e características como obesidade e síndrome metabólica, sugerindo que fatores biológicos podem interagir com condições físicas e aumentar o risco.

A depressão é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das principais causas de incapacidade no mundo. No Brasil, estima-se que mais de 11 milhões de pessoas convivam com o transtorno. Entre mulheres, os números são consistentemente maiores, especialmente em fases como adolescência, pós-parto e menopausa.

Além da genética, fatores sociais e culturais também pesam: desigualdade de gênero, sobrecarga de responsabilidades, violência doméstica e discriminação ampliam os riscos.

Implicações práticas

Os resultados reforçam a importância de análises estratificadas por sexo em pesquisas médicas e sugerem que tratamentos personalizados podem ser mais eficazes. Reconhecer que mulheres carregam uma carga genética maior para a depressão não significa destino inevitável, mas sim a necessidade de políticas públicas específicas, diagnóstico precoce e acesso ampliado a terapias.

O estudo australiano traz evidências robustas de que a genética feminina desempenha papel central na vulnerabilidade à depressão, mas também abre caminho para novas abordagens médicas e sociais. A informação é um alerta: compreender essas diferenças é essencial para reduzir impactos, ampliar cuidados e oferecer suporte adequado às mulheres em todas as fases da vida.

O Imprensa Brasília destaca: quanto mais se conhece sobre a depressão, maiores são as chances de enfrentá-la com eficácia.