Em clima tipicamente seco e com estação seca prolongada, o Distrito Federal não é o cenário mais óbvio para a cacauicultura. Ainda assim, parcerias entre instituições de pesquisa e pequenos produtores mostram que o Cerrado pode sim produzir chocolate fino de alta qualidade. Foi apresentada na AgroBrasília a proposta de sistemas integrados de cacau com baru, desenvolvido pela Embrapa Cerrados, que combina irrigação eficiente e seleção de variedades resistentes a estresses abióticos, garantindo produtividade e uniformidade de frutos.

Pequenas marcas locais, como o Cacau Candango, utilizam sistemas agroflorestais para amortecer os extremos de calor do Cerrado. José e Marlene Gonçalves cultivam, ao lado dos cacaueiros, espécies nativas como baru, cagaita e cupuaçu, que ajudam na retenção de umidade e na regulação térmica do solo. Essa integração permitiu colheitas regulares e cacau com perfil de sabor diferenciado, valorizado em chocolates artesanais vendidos na cidade.

A adaptação ao pleno sol, antes inimiga do cacau, foi viabilizada também pelas pesquisas da Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira). Técnicas como irrigação por pivô central e gotejamento, aliadas à correção de solo, garantiram o desenvolvimento de mudas superiores: só em 2021, viveiros especializados produziram 140 mil mudas adaptadas, com expectativa de atingir um milhão em 2025 gov.br.

No setor artesanal, a reportagem do Correio Braziliense destaca desafios de produtores como Marlene, que desenvolve barras de chocolate com sabores autorais de frutas do Cerrado. Sua produção mensal, embora ainda modesta (50–100 kg), já atrai eventos locais e mostra o potencial de mercado em expansão.

Com estas inovações, o Cerrado brasiliense reafirma seu papel na diversificação agrícola e na economia local. Para o consumidor, o resultado é um chocolate com identidade regional, sustentável e capaz de disputar paladares exigentes, um verdadeiro brinde ao Dia Mundial do Chocolate no coração do Brasil.