Um novo estudo realizado no Distrito Federal revela que a violência de gênero vai além das agressões físicas e psicológicas, impactando gravemente a identidade das mulheres. Os pesquisadores entrevistaram mais de cinco mil pessoas, sendo 1.541 mulheres vítimas de diferentes formas de violência.
A pesquisa destaca que as agressões não afetam apenas o bem-estar emocional, mas também a percepção que as vítimas têm de si mesmas. A psicóloga Miriam Pondaag explica que muitas mulheres internalizam as mensagens cruéis de seus agressores, perdendo a autoria de suas próprias histórias. Essa situação leva a um enfraquecimento da autoestima e da autoconfiança, tornando-as ainda mais vulneráveis.
Em um relato tocante, uma vítima chamada Alice (nome fictício) descreveu como a violência psicológica a deixou paralisada, sem perceber a gravidade de sua situação até que seu agressor quase a matou. A vivência do medo e do controle emocional, segundo ela, só pôde ser compreendida após romper com o ciclo de abuso.
Além das barreiras emocionais, a falta de apoio social agrava a situação. A psicóloga ressalta que mulheres sem uma rede de apoio fiable tendem a se sentir ainda mais isoladas e dependentes de seus agressores. A cultura machista que persevera em nossa sociedade também perpetua a ideia de que as mulheres precisam de um homem para ter valor.
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Miriam Pondaag acredita que, além do apoio emocional, é crucial que políticas públicas sejam implementadas para promover a autonomia econômica das mulheres. Assim, elas poderão se afastar de relacionamentos abusivos e reconstruir suas vidas de forma mais saudável.
Esse panorama evidencia a urgência de discutir a violência de gênero de maneira aberta e eficaz no Distrito Federal, visando não apenas a proteção das vítimas, mas também a construção de um ambiente mais seguro e respeitoso para todas as mulheres.
