Além de alimentar e proteger o bebê, o aleitamento materno está associado à redução de riscos para a mulher, incluindo hemorragia após o parto e alguns tipos de câncer
A amamentação costuma ser apresentada principalmente pelo impacto positivo na saúde do bebê. Mas seus efeitos também alcançam diretamente a mulher. Desde os primeiros momentos após o nascimento até os anos seguintes, o aleitamento materno está associado a benefícios que envolvem a recuperação do organismo, a saúde emocional e a redução do risco de algumas doenças ao longo da vida.
Segundo o Ministério da Saúde, amamentar reduz o risco de hemorragia no pós-parto e está associado a menores chances de desenvolvimento de câncer de mama e de ovário. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também aponta benefícios maternos de longo prazo relacionados à amamentação.
O primeiro benefício aparece logo depois do parto
Nos primeiros momentos após o nascimento, a amamentação desencadeia respostas hormonais importantes no organismo materno. A sucção do bebê estimula a liberação de ocitocina, hormônio que participa da contração do útero.
Esse mecanismo ajuda o órgão a retornar ao tamanho anterior à gestação e contribui para diminuir o risco de hemorragia pós-parto. O Ministério da Saúde também relaciona a amamentação a uma recuperação mais rápida do peso após a gestação e à redução do risco de anemia.
A importância desse período é ainda maior porque as primeiras semanas após o nascimento são consideradas uma fase crítica para a saúde da mulher. A OMS recomenda acompanhamento pós-natal adequado justamente para identificar precocemente complicações físicas e emocionais e oferecer suporte às mães e aos recém-nascidos.
Os benefícios não terminam quando o pós-parto acaba
O que chama atenção nas evidências científicas é que os possíveis efeitos positivos da amamentação não ficam restritos às primeiras semanas ou meses.
A OMS aponta que mulheres que amamentam apresentam menor risco de câncer de mama e de ovário, além de menor risco de diabetes tipo 2. O Ministério da Saúde também destaca a associação entre maior duração da amamentação e benefícios para a saúde da mulher.
Revisões científicas também investigam possíveis relações entre a lactação e outros aspectos da saúde metabólica e cardiovascular. A produção de leite exige energia do organismo materno e envolve alterações hormonais que podem influenciar diferentes processos fisiológicos.
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Isso não significa que a amamentação seja capaz de impedir o surgimento dessas doenças. Os benefícios observados em estudos são associações e fazem parte de um conjunto de fatores que influenciam a saúde da mulher ao longo da vida.
Saúde emocional também entra nessa história
A amamentação também pode participar da construção do vínculo entre mãe e bebê. O contato físico, a proximidade e a interação durante as mamadas podem contribuir para uma experiência de conexão e cuidado.
A própria OMS destaca que o apoio à amamentação deve considerar não apenas a alimentação da criança, mas também a proximidade, o contato pele a pele e a alimentação responsiva.
Estudos também investigam associações entre amamentação, humor, estresse e depressão pós-parto. A OMS aponta redução do risco de depressão pós-parto entre os benefícios associados à prática, mas é fundamental lembrar que amamentar não substitui acompanhamento psicológico ou médico quando uma mulher apresenta sofrimento emocional.
Amamentar não deve ser uma cobrança
Apesar dos benefícios, transformar a amamentação em uma obrigação moral pode produzir justamente o efeito contrário ao desejado.
Nem todas as mulheres conseguem amamentar pelo mesmo período ou exclusivamente. Dificuldades de pega, dor, produção de leite, condições de saúde, retorno ao trabalho e falta de apoio são alguns dos fatores que podem interferir nessa experiência.
Por isso, as recomendações internacionais defendem informação, orientação prática e suporte contínuo, em vez de julgamento. A OMS recomenda que as mulheres recebam apoio para iniciar e estabelecer a amamentação e para lidar com dificuldades comuns.
O suporte precisa envolver profissionais de saúde, família, comunidade e também políticas que permitam à mulher conciliar a amamentação com sua realidade.
Um cuidado que beneficia duas vidas
Quando se fala em aleitamento materno, é comum pensar primeiro na proteção oferecida à criança. O leite materno fornece nutrientes e fatores imunológicos importantes e está associado à proteção contra diversas infecções.
Mas a história não termina no bebê.
Para a mulher, amamentar pode representar uma etapa importante da recuperação após o parto e está associado a benefícios que podem permanecer por muitos anos. Redução do risco de hemorragia, câncer de mama e ovário e diabetes tipo 2 estão entre os efeitos destacados pelas autoridades de saúde.
Por isso, falar sobre amamentação também é falar sobre saúde da mulher. E garantir que ela tenha informação, acolhimento e condições reais para decidir e amamentar, quando possível, é uma forma de cuidar não apenas do início da vida de uma criança, mas também da trajetória de saúde de quem a trouxe ao mundo.
