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Ilustração de cédulas de dólar americano sobre uma superfície azul.Imagem ilustrativa gerada por IA / Imprensa Brasília

O dólar disparou nesta segunda-feira (26), no primeiro pregão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e chegou a ultrapassar R$ 5,60. Mas a alta mudou de tamanho ao longo do dia: no fechamento, a moeda comercial ficou em R$ 5,403, avanço de 8,21%, segundo o UOL.

Afinal, o dólar subiu 50 centavos?

Depende do momento da comparação. Na sexta-feira (23), a divisa havia encerrado a R$ 4,993. A diferença para o fechamento desta segunda foi de R$ 0,410 — cerca de 41 centavos. Na máxima, a R$ 5,605, o salto chegou a R$ 0,612, aproximadamente 61 centavos.

Isso explica por que quem acompanhou o câmbio em horários diferentes viu aumentos distintos. Cotação durante o pregão e fechamento não são a mesma medida.

Por que a eleição mexeu tanto com o câmbio?

Segundo especialistas ouvidos pela Exame, investidores vinham apostando na vitória de Flávio Bolsonaro (PL). A confirmação de Lula obrigou parte do mercado a desmontar operações montadas nas semanas anteriores. Esse reposicionamento pressionou o real, os juros futuros e as ações.

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A reação inverteu o movimento posterior ao primeiro turno: em 5 de outubro, o dólar havia recuado 4,12%, conforme a Exame. A comparação mostra como expectativas eleitorais já estavam incorporadas aos preços antes da votação.

Em avaliações reunidas pela Reuters, instituições financeiras também apontaram preocupações com gastos, dívida pública e a condução da política fiscal no próximo mandato. Essas são interpretações de agentes do mercado sobre os riscos econômicos, e não uma avaliação do resultado democrático das urnas.

A disparada vai continuar?

Não há garantia. Em entrevista ao UOL News, o economista Pedro Paulo Silveira avaliou que o movimento reflete uma correção de expectativas e pode mudar caso o governo sinalize compromisso com a estabilização da dívida pública e uma condução fiscal capaz de recuperar a confiança.

Silveira também chamou atenção para os juros e para os riscos de apostar em uma continuação automática da alta do dólar. Uma oscilação forte em um único pregão, portanto, não determina sozinha a trajetória da moeda nos próximos meses.

Por que o preço no aplicativo pode ser outro?

O dólar comercial usado como referência nas notícias não corresponde necessariamente ao custo final de uma compra para viagem ou de uma conversão em conta internacional. Tarifas, impostos, margem da instituição e horário da operação podem alterar o valor oferecido ao consumidor.

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Para comparar corretamente, é preciso conferir o mesmo tipo de cotação e o mesmo horário. A alta merece atenção, mas misturar dólar comercial, turismo e preços de aplicativos pode dar uma dimensão diferente do movimento.