O fim da escala 6×1 voltou com força ao debate no Brasil. A proposta, que já foi aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados e agora segue para o Senado, prevê que o trabalhador deixe de trabalhar seis dias para folgar apenas um. A ideia é garantir dois dias de descanso por semana e reduzir a jornada semanal para até 40 horas.

Mas, para além dos trabalhadores e das empresas, muita gente quer saber: o que muda para o consumidor?

Na prática, a resposta é: depende do setor. Supermercados, lojas, farmácias, restaurantes, bares, hotéis, salões de beleza e serviços de entrega podem sentir mais a mudança. Isso porque esses negócios costumam funcionar por muitas horas, inclusive aos sábados, domingos e feriados.

Com menos dias de trabalho por funcionário, as empresas terão que reorganizar as escalas. Algumas podem precisar contratar mais gente. Outras podem pagar mais horas extras. E há também aquelas que podem reduzir o horário de funcionamento em determinados dias.

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Para o consumidor, isso pode aparecer de algumas formas. A primeira é no bolso. Se o custo das empresas aumentar, parte desse valor pode ser repassada para os produtos e serviços. Empresários já afirmaram em debate no Senado que o fim da escala 6×1 pode gerar aumento de custos e ser repassado aos preços.

Ou seja, comer fora, pedir delivery, cortar o cabelo, comprar em pequenos mercados ou contratar alguns serviços pode ficar um pouco mais caro, principalmente nos primeiros meses de adaptação.

Outro possível impacto está nos horários. Alguns estabelecimentos menores podem passar a abrir mais tarde, fechar mais cedo ou reduzir o funcionamento em dias de menor movimento. Isso pode acontecer especialmente em pequenos negócios, que não têm equipe grande para cobrir todos os turnos.

Por outro lado, a mudança também pode trazer benefícios para o próprio consumidor. Um trabalhador menos cansado tende a atender melhor, cometer menos erros e ter mais disposição no dia a dia. Quem já foi mal atendido por alguém claramente exausto sabe que a rotina pesada também afeta a qualidade do serviço.

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Além disso, com mais tempo livre, os trabalhadores também viram consumidores mais ativos. Com dois dias de folga, mais pessoas podem ir ao shopping, sair para comer, viajar, frequentar academias, cinemas, parques e outros espaços de lazer. Isso pode movimentar setores que dependem justamente do tempo livre das pessoas.

A transição será uma parte importante desse processo. Segundo acordo divulgado pela Agência Brasil, a proposta prevê um prazo de 60 dias para o fim da escala 6×1 após a promulgação da PEC, além da redução gradual da jornada semanal, primeiro para 42 horas e depois para 40 horas em até 12 meses.

No fim das contas, o consumidor pode sentir mudanças no curto prazo, principalmente em preços e horários de atendimento. Mas, se a adaptação for bem feita, o fim da escala 6×1 também pode melhorar a qualidade dos serviços e fortalecer o consumo em áreas ligadas ao lazer, comércio e entretenimento.