No último domingo, o Rio de Janeiro celebrou com fervor o Dia de Cosme e Damião, uma tradição que une famílias em um espírito de gratidão e alegria. A professora Caroline Pinho de Araújo, devota desde a infância, destaca a importância de celebrar esses santos, não apenas em rituais religiosos, mas também através da distribuição de doces, elevando o amor e a união nas comunidades.
Na Paróquia de São Cosme e São Damião, localizada no Andaraí, milhares de peregrinos participaram das celebrações, que incluíram missas e distribuição de guloseimas. O padre Luiz Gustavo Menezes do Nascimento, vigário da paróquia, compartilhou sua experiência ao vivenciar a festividade desde a infância e reforçou o simbolismo de Cosme e Damião como médicos que cuidavam das crianças, proporcionando alegria e esperança.
O sincretismo religioso também se destacou neste dia, com celebrações nas religiões de matrizes africanas. No Terreiro de Umbanda Cosme e Damião, em Vila Isabel, a mãe de santo Ana Carolina Oliveira contou que sua família cultiva essa tradição por mais de 60 anos, reafirmando a importância do resgate das raízes culturais e religiosas. A celebração incluiu a distribuição de doces, brinquedos e kits de higiene, simbolizando a generosidade e o amor entre as gerações.
A massoterapeuta Vânia Victorio e sua filha Natasha, assim como outras crianças e adultos, se reuniram para recolher os brindes, lembrando que essa tradição conecta cada um deles à sua história familiar. Mirele, uma adolescente de 14 anos, comentou sobre a importância de celebrar e mostrar resistência frente à intolerância religiosa que ainda persiste na sociedade.
A celebração de Cosme e Damião não se limita a uma prática religiosa, mas sim se transforma em um reflexo do amor e esperança que compõem a cultura carioca. O historiador Luiz Antonio Simas relembra que esses santos foram martirizados por sua fé, e suas histórias se perpetuam nas memórias coletivas, enfatizando que dar alegria às crianças é um dos legados mais significativos da tradição.


