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Serviço deveria ter terminado em abril, foi prorrogado para setembro e agora tem nova previsão; contrato passou de R$ 2,41 milhões para cerca de R$ 3,23 milhões e pintura dos arcos chegou a 40%

Um dos cartões-postais mais fotografados de Brasília seguirá com obras por mais alguns meses.

A pintura e revitalização estética da Ponte Juscelino Kubitschek (Ponte JK), que inicialmente deveriam ter sido concluídas em abril, ganharam um novo prazo: dezembro de 2026.

É a segunda prorrogação anunciada desde o início dos trabalhos.

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Depois de o cronograma original não ser cumprido, o Governo do Distrito Federal informou, em maio, que a entrega seria adiada para setembro. O novo prazo também passou sem que o serviço fosse concluído. Agora, segundo informações repassadas pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), a expectativa é finalizar a intervenção até o fim do ano.

O atraso não é a única mudança.

O valor do contrato, inicialmente estimado em aproximadamente R$ 2,41 milhões, passou para cerca de R$ 3,23 milhões, depois de um aditivo de aproximadamente R$ 821 mil.

Até o fim de setembro, 65% do conjunto dos serviços estava executado. Quando o recorte é apenas a pintura dos três grandes arcos — justamente a parte mais visível da estrutura — o avanço informado era de cerca de 40%.

De abril para setembro — e agora dezembro

Os trabalhos começaram em janeiro.

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Quando o serviço foi anunciado, a previsão era de aproximadamente 150 dias para a execução, com conclusão esperada para o fim de abril. O contrato havia sido assinado pela Novacap em 27 de novembro de 2025.

Abril chegou e a ponte continuou parcialmente pintada.

No fim de maio, diante do atraso, o GDF anunciou uma prorrogação de 90 dias, contada a partir de 6 de junho. Com isso, a nova expectativa passou a ser setembro.

O segundo prazo também não foi suficiente.

Em setembro, a Novacap informou que o cronograma havia sido novamente alterado e apontou dezembro de 2026 como nova previsão de término.

Na prática, uma intervenção que deveria ter terminado no primeiro semestre atravessará quase todo o ano.

O que já foi feito?

A pintura não se limita aos grandes arcos brancos que formam a silhueta característica da Ponte JK.

Os trabalhos começaram pela parte inferior da estrutura e incluem diferentes superfícies.

Em maio, a Novacap informava que cerca de 60% dos serviços relacionados à parte inferior, passarelas laterais e barreira central de concreto haviam sido executados. Agora, considerando o conjunto da intervenção, o percentual informado subiu para 65%.

A evolução foi menor nos arcos.

A pintura dessa parte chegou a aproximadamente 40%, segundo a atualização mais recente.

Essa diferença ajuda a explicar por que, visualmente, o trabalho ainda parece distante da conclusão mesmo com mais da metade do contrato executada.

Por que o método de pintura foi alterado?

Um dos principais motivos apresentados para a mudança no contrato envolve justamente a maneira de pintar os arcos sobre o Lago Paranoá.

O planejamento inicial previa a aplicação do acabamento com pistola airless, em uma demão.

Essa metodologia acabou sendo retirada dessa etapa do serviço.

Segundo a Novacap, passou-se a utilizar rolo, com aplicação em duas demãos, para reduzir o risco de dispersão ou derramamento de tinta em direção ao Lago Paranoá.

É uma mudança importante porque os arcos não estão sobre um terreno convencional.

Boa parte do trabalho acontece diretamente acima da água e em uma estrutura de grande altura.

Assim, uma técnica mais lenta pode significar maior controle sobre o material utilizado.

Mais equipamento, trabalho noturno e serviço em altura

O aditivo de aproximadamente R$ 821 mil também não está relacionado apenas à tinta.

De acordo com a companhia, o novo cálculo incorporou despesas associadas ao trabalho noturno e em altura, administração local da obra e equipamentos necessários para alcançar e movimentar trabalhadores pela estrutura.

Entram nessa lista:

guindastes;

geradores;

veículos de apoio;

equipamentos para trabalho em altura;

e custos operacionais adicionais.

Ao mesmo tempo, foram retirados do orçamento itens que estavam ligados ao antigo método de aplicação com pistola airless.

Ou seja: o aditivo não representa simplesmente a manutenção do mesmo serviço por mais tempo.

Houve uma alteração na forma de executá-lo.

Contrato original era de R$ 2,417 milhões

Os dados públicos da própria Novacap mostram que a licitação específica para a pintura da Ponte JK tinha valor de R$ 2.417.538,59.

O objeto oficial descreve a contratação de empresa especializada para executar serviços de pintura voltados à revitalização estética da Ponte Juscelino Kubitschek, localizada sobre o Lago Paranoá, na ligação do Lago Sul ao Plano Piloto.

A execução ficou sob responsabilidade da Civil Engenharia Ltda., conforme informações divulgadas na contratação inicial.

Com o acréscimo informado pela Novacap, a intervenção passou para aproximadamente R$ 3,23 milhões.

Não é apenas uma nova camada de tinta

Embora visualmente a mudança mais perceptível seja o retorno do branco aos arcos, o serviço tem uma função que vai além da estética.

A intervenção prevê tratamento anticorrosivo, justamente para proteger componentes expostos ao tempo e prolongar a vida útil dos materiais.

A ponte fica permanentemente exposta a sol, chuva, umidade, poluição, variações térmicas e ao ambiente criado pela proximidade com o Lago Paranoá.

No caso de estruturas metálicas, a proteção adequada das superfícies é parte importante da conservação.

Por isso, o contrato não deve ser entendido apenas como uma “maquiagem” em um cartão-postal.

Existe também um componente de manutenção preventiva.

Pintura é diferente da recuperação estrutural da ponte

Outro ponto importante é não confundir os contratos.

A pintura atual é uma intervenção específica de revitalização estética e proteção.

Separadamente, a Novacap mantém registros de uma contratação muito maior, iniciada em 2021, voltada à recuperação e ao reforço estrutural da Ponte JK, com valor de referência de aproximadamente R$ 44,76 milhões.

Esse contrato envolve serviços de engenharia estrutural e elaboração de projetos executivos.

São, portanto, trabalhos distintos.

Um está relacionado à pintura e proteção das superfícies.

O outro envolve recuperação e reforço da própria estrutura.

A distinção é fundamental para que valores de contratos diferentes não sejam somados ou apresentados como se fizessem parte da mesma intervenção.

Trabalho em altura transforma a obra em desafio técnico

Pintar a Ponte JK não equivale a pintar uma fachada convencional.

Os três arcos atingem cerca de 58 metros de altura, segundo dados divulgados na inauguração da estrutura. A ponte possui aproximadamente 1,2 quilômetro de extensão e 24 metros de largura.

Isso exige plataformas, equipamentos específicos, isolamento de áreas e equipes treinadas para trabalho em altura.

A logística ainda precisa conviver com outra dificuldade: a ponte continua desempenhando diariamente sua função viária.

É uma das ligações entre a região central de Brasília e áreas como Lago Sul, Paranoá e São Sebastião.

Por isso, serviços capazes de interferir nas faixas de circulação precisam ser organizados para reduzir os impactos no trânsito.

Desde o planejamento inicial, a previsão era concentrar parte dos trabalhos noturnos justamente para diminuir os transtornos aos motoristas.

Equipamento chegou a provocar interdição em agosto

Os desafios operacionais já provocaram reflexos na circulação.

Segundo a atualização publicada em setembro, uma máquina utilizada na obra derramou óleo sobre a pista no fim de agosto e causou uma interdição temporária da via.

O episódio ilustra a complexidade de manter equipamentos pesados operando em uma das pontes mais movimentadas e emblemáticas da cidade enquanto o tráfego continua.

Uma ponte que também é cartão-postal

A importância da Ponte JK ultrapassa a função de transporte.

Inaugurada em 15 de dezembro de 2002, ela rapidamente se tornou uma das imagens mais reconhecidas da capital.

A estrutura possui três grandes arcos que atravessam diagonalmente o tabuleiro e criam uma composição que muda de aparência conforme o ângulo de observação.

O projeto arquitetônico é de Alexandre Chan.

Em 2003, a obra recebeu a Medalha Gustav Lindenthal, concedida durante a International Bridge Conference, com reconhecimento às qualidades estéticas e à integração da estrutura com o ambiente.

É exatamente essa arquitetura que faz da pintura dos arcos uma intervenção tão visível para quem circula por Brasília.

Branco dos arcos faz parte da imagem da cidade

Os arcos funcionam quase como uma moldura sobre o Lago Paranoá.

Em fotografias aéreas ou vistas da orla, sua cor clara contrasta com o azul da água, o céu e a vegetação.

Com o desgaste natural, manchas, diferenças de tonalidade e áreas já revitalizadas lado a lado com superfícies ainda não concluídas acabam chamando atenção.

É por isso que, embora o contrato envolva manutenção técnica, sua execução produz efeito direto também sobre uma das paisagens turísticas mais conhecidas de Brasília.

Mais de duas décadas de uso

A Ponte JK se aproxima de completar 24 anos.

Quando foi inaugurada, em 2002, a obra foi apresentada como uma nova ligação capaz de reduzir distâncias entre o Lago Sul e a área central.

Na época, o governo estimava que mais de 450 mil pessoas seriam beneficiadas pela nova conexão e que aproximadamente 25 mil veículos utilizariam a via.

Mais de duas décadas depois, a ponte está plenamente incorporada à rotina da cidade.

É utilizada por motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.

Ao mesmo tempo, aparece em campanhas turísticas, ensaios fotográficos, competições esportivas e imagens institucionais da capital.

Essa dupla função — infraestrutura e monumento — torna sua conservação especialmente sensível.

Novo prazo será suficiente?

Essa é a pergunta que surge depois de duas previsões frustradas.

O primeiro cronograma apontava abril.

O segundo, setembro.

Agora, a Novacap trabalha com dezembro.

Até a atualização mais recente, 65% dos serviços estavam concluídos, mas a parte dos arcos permanecia em aproximadamente 40%.

A companhia atribui parte da ampliação do cronograma às alterações técnicas necessárias para executar o trabalho de forma mais segura, sobretudo sobre o Lago Paranoá.

O cumprimento da nova previsão dependerá, portanto, da evolução dessa etapa justamente nos meses finais do ano.

Cronologia da pintura da Ponte JK

Novembro de 2025 — contrato para pintura é assinado, com valor aproximado de R$ 2,41 milhões e prazo previsto de 150 dias.

Janeiro de 2026 — começam os trabalhos, inicialmente pela parte inferior da ponte.

Abril de 2026 — prazo original de conclusão termina sem que os serviços estejam finalizados.

Maio de 2026 — GDF anuncia prorrogação de 90 dias a partir de 6 de junho e passa a prever entrega em setembro.

Setembro de 2026 — segundo prazo não é cumprido. Novacap informa avanço total de 65%, pintura dos arcos em 40% e nova previsão para dezembro.

Contrato atualizado — valor passa para aproximadamente R$ 3,23 milhões após aditivo próximo de R$ 821 mil.

O cartão-postal continua em transformação

Quem passa pela Ponte JK nos próximos meses ainda encontrará uma estrutura em processo de revitalização.

A diferença de tonalidade entre áreas já recuperadas e trechos ainda aguardando acabamento deve continuar visível até a conclusão dos trabalhos.

O novo calendário empurra para dezembro a expectativa de ver novamente os três grandes arcos completamente restaurados.

Mais do que devolver uma aparência uniforme a uma das construções mais fotografadas de Brasília, a intervenção busca proteger uma estrutura que, há quase 24 anos, cumpre dois papéis ao mesmo tempo:

leva milhares de pessoas de um lado ao outro do Lago Paranoá e ajuda a formar a própria imagem da capital.

Depois de abril e setembro, dezembro é agora o terceiro marco no calendário.

Resta saber se será, finalmente, o último.

Fontes: Novacap, Agência Brasília, Agência Brasil e informações da Novacap publicadas pelo Metrópoles em 25 de setembro de 2026.