Capacitação termina nesta quinta-feira (1º) e reúne participantes de projetos sociais; grupo voltará em outubro para trabalhar na montagem do cenário feito com materiais reutilizados
O cenário de Halloween que vai transformar a Praça Central do Taguatinga Shopping em um “Laboratório do Terror” terá uma história que começa muito antes da festa — e longe das tradicionais decorações descartáveis.

Mulheres atendidas por instituições sociais do Distrito Federal participam de uma capacitação em cenografia sustentável, realizada nesta quarta (30) e quinta-feira (1º). Depois do aprendizado, elas também terão a oportunidade de colocar as técnicas em prática e participar da montagem profissional da decoração.
A proposta combina três frentes: reaproveitamento de resíduos, capacitação profissional e geração de renda.
O resultado poderá ser visto pelo público no evento de Halloween do shopping, marcado para 18 de outubro.
Cenário será feito com materiais reciclados
Para construir o “Laboratório do Terror”, o Taguatinga Shopping firmou parceria com a Recicle a Vida, cooperativa que já recebe e reutiliza resíduos gerados pelo empreendimento.

Os materiais reciclados necessários para a cenografia serão adquiridos da cooperativa, que também terá profissionais contratados para trabalhar na montagem.
Com isso, parte dos resíduos que passam pela cadeia do próprio shopping retorna ao espaço transformada em elementos de uma nova cenografia.
“A proposta foi pensar a sustentabilidade não apenas a partir do reaproveitamento de materiais, mas também das oportunidades que conseguimos gerar ao longo desse processo”, explica Suelen Emerick, coordenadora do TGS Solidário.
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Segundo ela, o projeto conecta a cooperativa responsável pelos resíduos, instituições sociais e mulheres que passam a ter acesso a conhecimento técnico e à experiência de participar de uma montagem profissional.
Formação pode abrir novas possibilidades de trabalho
As participantes são atendidas pela Associação Despertar Sabedoria, do Sol Nascente, e pela ONG Corrente do Bem, instituições parceiras do TGS Solidário.
A proposta é que o projeto não se limite à participação pontual no evento, mas ofereça contato com conhecimentos que possam ser utilizados também em outras oportunidades profissionais.
Para Paloma Mel, presidente da Associação Despertar Sabedoria, a experiência também interfere na percepção das próprias participantes sobre suas capacidades.
“Mais do que o apoio financeiro, essas parcerias fortalecem a autoestima, valorizam talentos e fazem com que as mulheres percebam que são capazes de transformar suas próprias histórias”, afirma.

A associação atua desde 2001 em iniciativas de desenvolvimento social e educacional e em projetos relacionados à saúde e à dignidade de mulheres em situação de vulnerabilidade.
A Corrente do Bem, criada em 2007, desenvolve ações junto a diferentes públicos e instituições.
“Investir em conhecimento é abrir espaço para novas possibilidades, ajudando a transformar a realidade de muitas famílias e a fortalecer a autoestima das mulheres”, destaca Andressa Sharon, fundadora da ONG.
“Alguém olhou para a gente”
Para quem participa, a oportunidade também tem um significado pessoal.
Kátia Rodrigues da Silva, uma das mulheres selecionadas para a iniciativa, conta que a experiência trouxe expectativa em relação a novas possibilidades.
“O mais importante é saber que alguém olhou para a gente, acreditou no nosso potencial e investiu. Essa parceria faz as mulheres se sentirem vistas e valorizadas”, afirma.
Para ela, a oportunidade vai além do retorno financeiro.
“Às vezes, uma oportunidade assim representa muito mais do que o dinheiro: representa incentivo para a gente continuar buscando nossos sonhos.”
Da capacitação para uma montagem profissional
O workshop é conduzido pelo Grupo Ciranda, empresa brasiliense especializada em cenografia e responsável por trabalhos que incluem projetos para o Na Praia Festival, além de palcos e turnês de artistas nacionais.
Durante a formação, as participantes têm contato com técnicas utilizadas na produção de cenários.
Mas a experiência não termina nesta quinta-feira.
No dia 17 de outubro, as mulheres retornam para participar da montagem da decoração na Praça Central do shopping, acompanhando os bastidores e aplicando na prática parte do que aprenderam.
No dia seguinte, 18 de outubro, o “Laboratório do Terror” estará pronto para receber o público na programação de Halloween.
Para Patrícia Araújo, fundadora do Grupo Ciranda, a cenografia pode funcionar também como instrumento de inclusão e oportunidade.
“Acreditamos que investir em pessoas e criar oportunidades de transformação também é uma maneira de contribuir para um mundo melhor. Escolhemos a cenografia para gerar esperança e impactar positivamente a realidade das pessoas por meio da arte e do trabalho”, afirma.
Ao transformar materiais que seriam descartados em cenário e colocar mulheres de projetos sociais dentro do processo de criação, a iniciativa faz com que o Halloween comece antes mesmo da festa: nos bastidores, onde resíduos ganham uma segunda vida e novas habilidades podem abrir caminhos profissionais.


