No coração do Cerrado, uma iniciativa artística propõe reposicionar a música lírica no imaginário popular brasileiro. No próximo dia 5 de março de 2026, às 20h, o Teatro Marie Padille, em Alexânia, recebe a estreia de Ópera Tem Palco – Opereta do Cerrado, espetáculo que aposta na aproximação entre a tradição operística e a sensibilidade contemporânea do público do interior.

Com cerca de uma hora de duração, a montagem constrói uma narrativa afetiva: uma comunidade que, ao ganhar um teatro recém-inaugurado, passa a reconhecer na ópera um espelho de suas próprias histórias. A proposta rompe com a ideia de elitização do gênero e o reposiciona como experiência acessível, emocional e profundamente brasileira.

O repertório transita com fluidez entre árias consagradas, elementos da Música Popular Brasileira e trilhas marcantes do cinema. Essa costura estética cria um diálogo entre o erudito e o popular, estratégia que amplia o alcance da obra e reforça sua vocação pedagógica e formativa — sem abrir mão da qualidade técnica.

No palco, a Cia de Cantores Líricos reúne músicos e atores em uma encenação que alterna canto e interpretação falada, ampliando a expressividade narrativa. A direção é assinada por Arnoldo Jacaúna, com colaboração de Dyego Cesar Lima. O papel central fica a cargo de Valdivino Clarindo Lima, advogado e ator reconhecido na região, cuja presença reforça o caráter comunitário da produção concebida por Edna Pinato.

O lançamento no Dia Nacional da Música Clássica não é casual. A escolha da data insere o projeto em um contexto simbólico mais amplo, ao mesmo tempo em que reafirma o compromisso de democratização cultural. Trata-se, nas palavras da equipe criativa, de “uma ópera para quem nunca foi à ópera” — e também para quem já a frequenta, mas deseja vivenciá-la sob uma perspectiva mais próxima e territorializada.

Ingressos aqui.

Um teatro que nasce como símbolo regional

Inaugurado em novembro de 2025, o Teatro Marie Padille surge como um empreendimento cultural de caráter estruturante para o eixo entre Brasilia e Anapolis. Idealizado por Edna Pinato e Arnoldo Jacaúna, ao lado dos filhos Priscila e Henrique Pinato, o espaço foi construído com recursos próprios e priorizou a contratação de trabalhadores locais — um gesto que amplia seu impacto econômico e social.

Mais do que equipamento cultural, o teatro se consolida como projeto de identidade e desenvolvimento regional. Concebido sob princípios ESG, integra arte, educação, tecnologia e experiência sensorial, em uma proposta ainda rara no interior goiano.

Em uma cidade historicamente fora dos grandes circuitos culturais, o Teatro Marie Padille se estabelece como vetor de descentralização artística e como plataforma de formação de público. A estreia da opereta marca não apenas um espetáculo, mas um movimento: o de inscrever o Cerrado no mapa contemporâneo da música lírica brasileira.