Há quase quatro décadas, em 1987, Goiânia viveu um dos episódios mais graves da história mundial envolvendo radiação: o acidente com Césio-137. Dois catadores encontraram um aparelho de radioterapia abandonado em uma clínica desativada e, sem saber do perigo, retiraram uma cápsula metálica que continha a substância radioativa. O material foi levado para um ferro-velho, onde acabou sendo aberto e liberou um pó branco que, no escuro, emitia um brilho azul.
O que é o Césio-137
Segundo o químico Wilson Botter, vice-presidente do Conselho Federal de Química (CFQ), o Césio-137 é um isótopo radioativo do elemento químico césio, de número atômico 55. Ele não existe naturalmente na natureza: é produzido pela fissão nuclear, processo que ocorre em reatores ou explosões atômicas.
Apesar de perigoso, o Césio-137 tem aplicações importantes quando usado de forma controlada:
- Medicina: em equipamentos de radioterapia para tratamento de câncer.
- Indústria: para medição de nível e densidade de materiais.
- Ciência: em pesquisas que envolvem radioatividade.
O impacto em Goiânia
No acidente, moradores manipularam e até distribuíram o pó radioativo, atraídos pelo brilho incomum. Muitos aplicaram a substância sobre a pele, sem imaginar os riscos.
A exposição ao Césio-137 pode causar a síndrome aguda da radiação, caracterizada por:
- Náuseas e vômitos
- Queimaduras
- Queda de cabelo
- Infecções
- Em casos graves, a morte
Isso ocorre porque a radiação ionizante danifica células do corpo, especialmente as que se dividem rapidamente, como as da medula óssea, da pele e do sistema gastrointestinal.
Consequências
O acidente deixou centenas de pessoas contaminadas, dezenas hospitalizadas e quatro mortes confirmadas. Goiânia se tornou referência mundial em protocolos de resposta a acidentes radiológicos, e o episódio permanece como um alerta sobre os riscos do manuseio inadequado de materiais nucleares.
Esse caso ainda hoje é lembrado como um marco da necessidade de controle rigoroso de fontes radioativas e da importância da educação científica para evitar tragédias semelhantes.
