A reunião da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, realizada nesta quarta-feira (8/4) na Câmara dos Deputados, foi marcada por um episódio de forte tensão entre as parlamentares Rosana Valle (PL/SP) e Érika Hilton (PSOL/SP). Durante a discussão, Rosana afirmou que, caso fosse confrontada, acionaria a Lei Maria da Penha, alegando que a colega “tem a força de um homem”.

O clima já era de acirramento em razão da pauta que incluía uma moção de repúdio contra Érika Hilton, presidente do colegiado. As divergências culminaram em agressões verbais dentro do plenário, levando à interrupção da sessão.

O episódio reacende debates sobre o uso da Lei Maria da Penha em contextos políticos e sobre os limites da retórica parlamentar. Especialistas em direito apontam que a legislação foi criada para proteger mulheres em situação de violência doméstica e familiar, e seu acionamento em disputas políticas pode gerar interpretações controversas.

Do ponto de vista social, o caso expõe a complexidade das discussões de gênero no espaço legislativo. A fala de Rosana Valle, ao associar força física à identidade de Érika Hilton, que é uma mulher trans, trouxe à tona questões sobre preconceito, reconhecimento e respeito às identidades de gênero no ambiente político.

O episódio não apenas interrompeu uma reunião importante, mas também abriu espaço para um debate mais amplo sobre violência simbólica, representatividade e os desafios da convivência democrática dentro do Congresso Nacional.