Entre os dias 24 e 26 de abril, o município de Alexânia (GO), a cerca de 100 km de Brasília, recebeu a primeira edição do projeto Vivência Vozes da Terra (VVT), uma iniciativa que buscou reunir diferentes expressões da cultura brasileira de raiz em uma proposta imersiva e descentralizada.
A programação foi estruturada em três momentos distintos, distribuídos ao longo do fim de semana. Na sexta-feira, o público participou de uma vivência imersiva realizada na Voilà House, espaço inserido no Cerrado, onde música, dança, narrativa e gastronomia aconteceram de forma integrada, sem divisão entre artistas e espectadores.




No sábado, a experiência seguiu para o Teatro Marie Padille, com a apresentação do espetáculo Corpos em Serenata, da Cia Síntese, que abordou temas como memória, tempo e relações afetivas por meio da dança contemporânea.
O encerramento, no domingo, contou com o espetáculo A Viola como Herança, do Projeto Laço de Cordas, reunindo música e narrativa para destacar a viola caipira como símbolo de transmissão cultural entre gerações.




Mais do que uma sequência de apresentações, o VVT se estruturou como uma experiência territorial. Além das atividades artísticas, o projeto incluiu roteiros culturais pela região, com visitas a ateliês, espaços de produção artesanal e pontos tradicionais de Alexânia e do vilarejo de Olhos d’Água.
Outro eixo central foi a integração com a economia local. Pequenos produtores rurais, artesãos e profissionais de serviços participaram diretamente da iniciativa, seja na oferta de produtos, na gastronomia ou na operação do evento. A proposta buscou reduzir a distância entre produção e consumo, aproximando o público das origens dos alimentos e dos processos criativos envolvidos.




A gastronomia, inclusive, teve papel relevante dentro da programação, sendo apresentada como parte da experiência cultural. Preparos realizados ao vivo, com ingredientes do Cerrado, reforçaram a ideia de valorização de práticas tradicionais e saberes locais.
O projeto foi articulado pelo coletivo Marie Padille Cultural, que atua na região conectando iniciativas nas áreas de arte, educação, turismo e economia criativa. A proposta do VVT reflete esse modelo de atuação em rede, reunindo diferentes agentes em torno de uma experiência comum.
Ao combinar vivência artística, circulação territorial e participação comunitária, o evento aponta para um formato de produção cultural que vai além do espetáculo, buscando integrar cultura, desenvolvimento local e identidade regional.
