Em meio à rotina urbana e ao concreto que define Brasília, uma exposição propõe um olhar mais atento — e sensível — para aquilo que sustenta a cidade desde suas raízes: o Cerrado. Até o dia 16 de maio, o Brasília Shopping abre espaço para a mostra “Brasília Cerrado: Uma ode à seca”, um convite à contemplação, à memória e à reconexão com o bioma que, muitas vezes, passa despercebido no cotidiano.

Instalada na Praça Central, a exposição vai além da estética. Ela transforma cores, formas e texturas em linguagem, criando uma experiência que não apenas se observa, mas se sente.

Arte como tradução de um território

A mostra reúne o trabalho das artistas e arquitetas Gabriela Bilá e Mariana Siqueira, que constroem, a partir de suas vivências, um retrato afetivo e profundo do Cerrado. Suas obras não se limitam à representação visual — elas interpretam o bioma como presença viva, carregada de história, identidade e pertencimento.

Gabriela Bilá trabalha com a memória como matéria-prima, transformando elementos naturais em composições que evocam raízes e conexões. Já Mariana Siqueira desenvolve uma linguagem baseada na observação das formas orgânicas e na materialidade da natureza, revelando a beleza silenciosa que habita o bioma.

Juntas, as artistas criam uma narrativa que convida o público a enxergar o Cerrado para além da paisagem — como força cultural, estética e emocional.

Um convite à reconexão

Em uma cidade planejada, onde o olhar frequentemente se volta para a arquitetura monumental, a exposição propõe um deslocamento: olhar para o que está no chão, nas margens, nos detalhes.

“É um convite para experimentar e criar a partir daquilo que nos cerca todos os dias”, explica Gabriela Bilá. A proposta é despertar um novo tipo de percepção — mais sensível, mais próxima, mais consciente.

Essa reconexão ganha ainda mais relevância diante da importância ecológica do Cerrado, um dos biomas mais ricos em biodiversidade do mundo e, ao mesmo tempo, um dos mais ameaçados.

Experiência que vai além da contemplação

Para aprofundar o envolvimento do público, a programação inclui oficinas gratuitas que ampliam a experiência para o campo sensorial e participativo.

Entre as atividades, estão práticas de estamparia manual, aquarela e experimentações com elementos naturais, conduzidas por artistas convidados. As oficinas acontecem em diferentes datas e propõem uma vivência direta com as cores, texturas e formas do Cerrado.

As inscrições são feitas pelo aplicativo do Brasília Shopping, reforçando o caráter acessível e interativo da iniciativa.

Entre cidade e natureza

A exposição surge como um lembrete potente: Brasília não existe sem o Cerrado. O bioma não é apenas cenário — é fundamento, é identidade, é história.

Ao trazer essa reflexão para dentro de um shopping center — espaço tradicionalmente associado ao consumo —, a mostra cria um contraste que provoca: no meio da pressa, há espaço para pausa. No meio do concreto, há vida pulsando.

Sentir para reconhecer

Mais do que informar, “Brasília Cerrado” convida o público a sentir. E, ao sentir, reconhecer.

Reconhecer a beleza que resiste, a força que sustenta e a identidade que, muitas vezes, passa despercebida.

Porque, no fim, compreender o Cerrado é também compreender Brasília.

E talvez seja justamente nesse encontro — entre arte, natureza e cidade — que nasce um novo olhar.

Oficinas especiais
28/04, às 17h | Oficina Capim no Jardim, com Mariana Siqueira
05/05, às 17h | Oficina Aquarela Cerratense, com Mattricaria
07/05, às 17h | Oficina Estamparia Manual, com Daisy Barros

Inscrições no app Brasília Shopping.