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Uma investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) revelou que a queda do turboélice da Voepass, ocorrida em agosto de 2024, foi influenciada por uma cultura organizacional que deixava de reportar falhas nas aeronaves. O acidente resultou na morte de 62 pessoas, incluindo quatro tripulantes.

Exames realizados pelo Cenipa indicam que, apesar de a aeronave ter passado por manutenção antes do voo, havia diversas fragilidades nas atividades de segurança. Em voos anteriores, a mesma aeronave enfrentou problemas como acúmulo de gelo e falhas em sistemas críticos, que não foram devidamente comunicados nas documentações da tripulação.

A investigação revelou que três tripulações diferentes normalizavam desvios de procedimento, refletindo um padrão preocupante de desconsideração dos alertas de sistema. Os pilotos, inclusive, chegaram a desligar o aviso de problemas, o que culminou em decisões que comprometeram a segurança do voo.

Além das falhas de comunicação, os mecânicos da Voepass foram entrevistados e relataram troca irregular de componentes entre aeronaves, colocando em risco a integridade das operações. A recorrência de alertas sobre degradação de performance — somando 1.674 em 15 mil voos analisados — demonstra um padrão alarmante que deveria ter sido notificado.

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A falta de ação diante dos avisos do sistema de degelo e a incapacidade de gestão de informações durante o voo contribuíram decisivamente para a perda de controle da aeronave, que acabou colidindo com o solo. Os dados obtidos e as conclusões do Cenipa revelam a urgência de uma mudança na cultura organizacional das empresas aéreas, visando aumentar a segurança e a responsabilidade nas comunicações sobre falhas.