A reforma tributária prevista para entrar em vigor em 2027 gera apreensão entre os atacadistas do Distrito Federal. O presidente do Sindiatacadista-DF, Alaor Gomes Neto, alertou que o fim de incentivos fiscais pode impactar negativamente a competitividade das empresas locais.
Localizados em uma região privilegiada, os atacadistas do DF se beneficiam da Lei Distrital nº 5.005/2012, que permite créditos no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Entretanto, com as novas regras, esse benefício deve ser encerrado, tornando as empresas da região menos competitivas em relação a estados como o Ceará, que têm incentivos fiscais mais robustos e em vigor até 2032.
A proposta de reforma tributária estipula que empresas com incentivos onerosos terão compensações por meio de um Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais do ICMS. Como a lei distrital não exige contrapartidas dos empresários, o DF ficará sem essa ajuda, elevando as preocupações de um futuro instável para o setor.
Além disso, o fim da escala de trabalho de 6×1, que deve ser substituída por jornadas de 40 horas, pode complicar ainda mais a operação dos atacadistas. A expectativa é que essa mudança leve a um aumento na folha salarial e, consequentemente, nos preços finais dos produtos, o que pode afetar os consumidores na capital federal.
O Sindiatacadista-DF já busca soluções junto ao Executivo e Legislativo para mitigar os impactos. A proposta de incluir o setor no programa Emprega DF, que oferece incentivos econômicos, é uma das alternativas em discussão para evitar prejuízos abruptos.
Os atacadistas também têm enfrentado desafios com a crescente adesão ao crédito facilitado por meios digitais, resultando em um aumento de dívidas e, consequentemente, em uma redução do poder de compra dos consumidores. Essa situação está afetando diretamente o consumo de produtos essenciais, como carnes, na região.
