Apesar de serem frequentemente chamadas de “cidades”, as RAs são unidades administrativas criadas para organizar o território e descentralizar a prestação de serviços públicos

Quem vive no Distrito Federal costuma dizer que mora em uma cidade: Ceilândia, Taguatinga, Planaltina, Sobradinho, Águas Claras, Samambaia ou uma das tantas localidades que fazem parte da rotina da capital. Oficialmente, porém, o território do DF possui uma organização diferente da encontrada na maioria dos estados brasileiros.

O Distrito Federal é dividido atualmente em 35 Regiões Administrativas (RAs). Elas foram criadas para fins de descentralização e coordenação dos serviços de natureza local e integram a estrutura administrativa do Governo do Distrito Federal.

A divisão territorial chegou ao número atual em 2022, quando foram criadas Arapoanga e Água Quente, que passaram a ocupar, respectivamente, as posições de RA XXXIV e RA XXXV.

Nova Gestão do GDF

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Mas por que o DF é organizado dessa maneira?

Por que Brasília não é dividida em municípios?

Essa é uma das particularidades que mais confundem quem não conhece a organização política do Distrito Federal.

Diferentemente dos estados, o DF não possui municípios. A Constituição Federal estabelece uma estrutura própria para a capital, que acumula competências legislativas reservadas aos estados e aos municípios.

Por isso, localidades que no cotidiano são chamadas de cidades são, juridicamente, Regiões Administrativas.

Essa divisão permite que o governo organize a administração pública de acordo com as características e necessidades de diferentes áreas do território.

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As RAs, entretanto, não possuem autonomia política, financeira ou administrativa equivalente à de um município. Segundo publicação do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), sua natureza jurídica é a de órgãos integrantes da administração distrital.

Como surgiu essa divisão?

A história das Regiões Administrativas está ligada à própria formação de Brasília.

A primeira divisão administrativa do território ocorreu em 1964, por meio da Lei nº 4.545. Naquele momento, o DF foi organizado inicialmente em oito regiões administrativas.

Com o crescimento populacional e a expansão urbana, novas regiões foram sendo criadas a partir do desmembramento de áreas que anteriormente pertenciam a outras RAs.

Em 1989, por exemplo, foram criadas Ceilândia, Guará, Cruzeiro e Samambaia. O processo de reorganização territorial continuou nas décadas seguintes, acompanhando o crescimento da capital.

O resultado é um território que passou de oito regiões administrativas originalmente previstas para as atuais 35.

Confira as 35 Regiões Administrativas do DF

A lista oficial atualmente é:

  1. Plano Piloto — RA I
  2. Gama — RA II
  3. Taguatinga — RA III
  4. Brazlândia — RA IV
  5. Sobradinho — RA V
  6. Planaltina — RA VI
  7. Paranoá — RA VII
  8. Núcleo Bandeirante — RA VIII
  9. Ceilândia — RA IX
  10. Guará — RA X
  11. Cruzeiro — RA XI
  12. Samambaia — RA XII
  13. Santa Maria — RA XIII
  14. São Sebastião — RA XIV
  15. Recanto das Emas — RA XV
  16. Lago Sul — RA XVI
  17. Riacho Fundo — RA XVII
  18. Lago Norte — RA XVIII
  19. Candangolândia — RA XIX
  20. Águas Claras — RA XX
  21. Riacho Fundo II — RA XXI
  22. Sudoeste/Octogonal — RA XXII
  23. Varjão — RA XXIII
  24. Park Way — RA XXIV
  25. SCIA/Estrutural — RA XXV
  26. Sobradinho II — RA XXVI
  27. Jardim Botânico — RA XXVII
  28. Itapoã — RA XXVIII
  29. SIA — RA XXIX
  30. Vicente Pires — RA XXX
  31. Fercal — RA XXXI
  32. Sol Nascente/Pôr do Sol — RA XXXII
  33. Arniqueira — RA XXXIII
  34. Arapoanga — RA XXXIV
  35. Água Quente — RA XXXV

A relação é apresentada em documentos oficiais do Distrito Federal, incluindo materiais do IPEDF e da Agência Brasília.

Duas RAs foram criadas mais recentemente

As duas regiões mais novas da lista são Arapoanga e Água Quente.

Ambas foram criadas em 21 de dezembro de 2022, por meio das Leis nº 7.190 e nº 7.191. Com elas, o Distrito Federal passou oficialmente a contar com 35 Regiões Administrativas.

A criação de novas RAs está diretamente relacionada à transformação do território. O crescimento populacional, a expansão de áreas urbanizadas e as necessidades específicas de determinadas comunidades podem levar o poder público a discutir novas formas de organização administrativa.

Região Administrativa não é município

A diferença parece apenas uma questão de nomenclatura, mas tem consequências importantes.

Um município possui prefeito, Câmara Municipal, orçamento próprio e autonomia política e administrativa dentro dos limites estabelecidos pela Constituição.

Uma Região Administrativa do DF, por outro lado, integra a estrutura do Governo do Distrito Federal. A Administração Regional atua localmente, mas não possui a mesma autonomia de um município.

É por isso que, oficialmente, não se deve tratar Ceilândia, Taguatinga, Planaltina ou Águas Claras como municípios.

No cotidiano, entretanto, o termo “cidade” acabou incorporado à maneira como os moradores identificam seus locais de residência, trabalho e convivência.

Um território que continua mudando

A história das RAs também conta a história do crescimento de Brasília.

A capital planejada para receber uma população inicialmente muito menor passou por décadas de expansão urbana, criação de novos núcleos habitacionais e transformação de áreas que antes estavam distantes do centro.

As Regiões Administrativas surgiram justamente como uma resposta administrativa a esse processo.

Hoje, elas representam muito mais do que divisões em um mapa. Cada RA possui características próprias, diferentes perfis populacionais, atividades econômicas, desafios de mobilidade e demandas específicas por saúde, educação, segurança, infraestrutura e serviços públicos.

Conhecer essa estrutura ajuda a compreender melhor o próprio Distrito Federal.

E agora fica a pergunta: você sabia que Brasília tem 35 Regiões Administrativas? E em qual delas você mora?