A literatura feita no interior do Brasil ganha destaque com o lançamento do livro Nódoa, da escritora Calila das Mercês, que ocorreu durante a quarta edição do Festival Literário de Paracatu, em Minas Gerais. A autora, que já fez seu nome como pesquisadora e jornalista, utiliza suas raízes no sertão e no recôncavo baiano como fonte de inspiração e reflexão.
Calila, que assina a curadoria do festival ao lado de outros renomados nomes da literatura, busca conectar a obra de grandes pensadores brasileiros, como Milton Santos e João Guimarães Rosa. Durante o festival, que ocorre de 26 a 30 de agosto, o tema Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo propõe uma discussão sobre identidade e território, abordando a literatura como um espaço de resistência e celebração.
O novo romance Nódoa é narrado por duas mulheres, Regina e Lurdes Maria, que vivem em constante movimento, refletindo as experiências e desafios enfrentados em seus cotidianos. A autora enfatiza a importância da forma e da materialidade da escrita, utilizando recursos tipográficos para dar voz e corpo às suas personagens, que vão da analfabeta à artista plástica.
Calila revelou que o ato de escrever foi realizado em meio a mudanças e deslocamentos, refletindo as diversas camadas de sua vida. Em suas palavras, “escrevi dentro do ônibus, escrevi em uma rodoviária”, narrando sua jornada não apenas através das palavras, mas também pela conexão com a natureza e a urbanidade.
O festival, que conta com a participação de grandes nomes da literatura brasileira, como Mia Couto e Bruna Lombardi, promove um espaço de troca cultural e valorização das produções locais. Calila ressalta a necessidade de se respeitar e reconhecer a diversidade literária que surge em cada canto do Brasil, ao mesmo tempo em que se alerta para o risco de festivais se tornarem palanques políticos.
Em suas reflexões, Calila evidencia que a literatura do interior é vital para o pensamento crítico do país, onde vozes autênticas e narrativas locais se entrelaçam, criando um fio condutor entre passado e presente. O festival em Paracatu se afirma, assim, como um espaço de integração, criatividade e resistência cultural.
