Endividamento bruto atingiu 82,5% do PIB em julho; mesmo com superávit primário no mês, despesas com juros levaram o setor público a registrar déficit nominal de R$ 97,6 bilhões
A dívida pública brasileira voltou a avançar e alcançou o maior patamar em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) desde abril de 2021. Em julho, a Dívida Bruta do Governo Geral chegou a R$ 10,9 trilhões, equivalente a 82,5% do PIB.
Os números fazem parte do Relatório de Estatísticas Fiscais divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (31) e colocam novamente a trajetória do endividamento no centro das discussões sobre as contas públicas brasileiras.
A Dívida Bruta do Governo Geral considera as obrigações do governo federal, dos estados e dos municípios. Embora o crescimento do PIB contribua para limitar o avanço da proporção entre dívida e atividade econômica, fatores como juros e emissões de dívida pressionam o indicador.
Contas tiveram superávit antes dos juros
Outro dado chama atenção. O setor público registrou superávit primário de R$ 1,4 bilhão em julho, uma melhora expressiva em relação ao mesmo mês do ano passado, quando houve déficit de R$ 66,6 bilhões.
O resultado primário, entretanto, não inclui os gastos com juros da dívida pública.
Quando essas despesas entram no cálculo, o cenário muda: o resultado nominal ficou negativo em R$ 97,6 bilhões no mês.
A diferença ajuda a entender por que um governo pode registrar superávit primário e, ao mesmo tempo, continuar apresentando déficit quando consideradas todas as despesas financeiras.
Juros pressionam endividamento
O nível dos juros é um dos componentes relevantes para a evolução da dívida. Segundo as estimativas apresentadas no relatório, uma redução de 1 ponto percentual na Selic teria impacto estimado de R$ 63,3 bilhões sobre a dívida bruta, montante correspondente a aproximadamente 0,5 ponto percentual do PIB.
Publicidade
Isso ocorre porque parte do endividamento público está direta ou indiretamente relacionada às taxas de juros, fazendo com que o custo de financiamento do Estado seja afetado pelo ambiente monetário.
O indicador de 82,5% não significa que o Brasil tenha uma dívida equivalente a 82,5% de tudo o que produz em apenas um mês. A comparação utiliza o estoque total da dívida em relação ao valor do PIB, uma referência utilizada para avaliar o tamanho do endividamento diante da capacidade econômica do país.
Com a dívida novamente no maior nível desde 2021, o desafio das contas públicas envolve diferentes variáveis: controle de despesas, arrecadação, custo dos juros e capacidade de crescimento da economia.
