Durante o 13º Congresso de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro, especialistas debateram a autonomia de pessoas com demência, destacando a necessidade de respeitar a autodeterminação mesmo em estágios iniciais da doença.
Um dos casos discutidos envolveu um homem de 81 anos com sinais iniciais de Alzheimer, ainda capaz de cuidar de suas atividades diárias, mas que precisava de auxílio em questões financeiras e medicamentos. O participante, viúvo e sem filhos, preferia permanecer em sua casa, levantando questões sobre a melhor abordagem para preservar sua autonomia e qualidade de vida.
A advogada Nelma Melgaço enfatizou que, mesmo em casos iniciais de Alzheimer, é possível estabelecer um plano avançado de cuidados, permitindo diálogo sobre desejos e valores antes de a capacidade decisória ser comprometida. Por outro lado, Isabela Trindade alertou que a proteção do paciente não deve significar a exclusão de sua voz nas decisões.
A discussão também abordou a necessidade de rever o entendimento sobre a demência como uma condição não terminal e o papel dos cuidados paliativos. Luciana Dadalto, especialista no assunto, argumentou que esses cuidados são insuficientes se aplicados apenas no final da vida, pois deveriam ser estendidos a qualquer fase em que haja sofrimento.
A questão do suicídio assistido também foi pauta. Especialistas destacaram que, à medida que a população envelhece, é necessário discutir abertamente as opções disponíveis para garantir dignidade e autonomia no fim da vida, reconhecendo que o suporte médico pode ser uma parte crucial dos cuidados paliativos.
O congresso evidenciou a importância de respeitar as escolhas dos pacientes e as nuances da autonomia, promovendo uma abordagem mais humana e personalizada no cuidado aos idosos.


