Os profissionais de saúde ainda enfrentam dificuldades ao abordar a sexualidade de pacientes mais velhos. No painel ‘Mudanças fisiológicas são barreiras para a atividade sexual’, realizado durante o GeriatRio 2026, especialistas destacaram a importância de superar o silêncio sobre o tema.
Estudos indicam que 73% das pessoas entre 57 e 64 anos se mantêm sexualmente ativas, mas essa porcentagem cai para 26% entre aqueles de 75 a 85 anos. O geriatra Gustavo de Jesus Monteiro, vice-presidente da SBGG-RJ, ressaltou que a maioria dos idosos se sente desconfortável em discutir sua vida sexual com os médicos. Embora 60% dos pacientes acima de 65 anos desejem que o tema seja abordado, apenas 38% dos homens e 22% das mulheres falam sobre isso nas consultas.
Monteiro enfatizou que a falta de conversa pode impactar a adesão ao tratamento de doenças. Medicamentos como antihipertensivos ou antidepressivos podem interferir na vida sexual, e muitos indivíduos abandonam o tratamento por causa disso. Para mudar esse cenário, ele sugeriu que o diálogo sobre sexualidade devesse ser parte da rotina de atendimento geriátrico.
A psicóloga Ana Cristina Nunes Barbosa também destacou a necessidade de abordar a sexualidade de forma natural e respeitosa, rompendo tabus que muitas vezes tornam os idosos invisíveis nesse aspecto. Aproximar-se do assunto com perguntas mais assertivas pode facilitar a comunicação e o acolhimento.
Além da saúde mental e física, a conscientização sobre doenças sexualmente transmissíveis é fundamental. A infectologista Thelma Flosi chamou a atenção para o aumento na taxa de detecção de AIDS em pessoas acima de 60 anos, o que reforça a necessidade de conversas francas sobre práticas sexuais e métodos de prevenção.
Discutir sexualidade na terceira idade não é apenas uma questão de saúde, mas também de qualidade de vida e felicidade. Para muitos, o desejo de continuar ativos sexualmente é um aspecto importante da autonomia e do prazer.



