As chuvas que começaram a cair em Brasília sinalizam a aguardada chegada da temporada do pequi, um fruto emblemático do Cerrado. Entre o final de setembro e outubro, o clima se transforma e a produção deste alimento típico se intensifica, trazendo à tona uma rica tradição cultural e gastronômica.
Helenice Moura Gonçalves, doutora em agronomia, explica que o ciclo do pequizeiro é intrinsecamente ligado ao clima. Durante a seca, as árvores perdem folhas para conservar água, e as chuvas marcam uma fase crucial para seu crescimento. “O florescimento começa no final da estação seca, e o início da chuva favorece o desenvolvimento dos frutos”, detalha a especialista, destacando a conexão entre sabedoria popular e ciência.
No Distrito Federal, a história do cultivo do pequi é rica, refletindo uma relação de respeito com a natureza. Em Brazlândia, Matheus Destro cuida de uma plantação que teve início com sementes trazidas de terras indígenas no Xingu. “Mais de 30 anos depois, essas sementes deram origem a árvores produtivas, e a expectativa é colher até duas toneladas nesta safra”, conta Matheus, que realiza todo o processo da plantação até a colheita com dedicação.
Além da tradição familiar, o cultivo de pequi também se enfrenta a desafios climáticos. Joel Luiz, produtor agrícola em São Sebastião, observa que a demora na chuva pode afetar a flora das plantas. “Quando não chove no momento certo, as flores secam e a colheita é prejudicada”, desabafa, lembrando que a atenção às condições climáticas é fundamental para garantir uma boa produção.
A produção de pequi no DF ainda está crescendo, e muitos dos frutos disponíveis no comércio local vêm de regiões mais quentes do norte do país. Pesquisas e projetos, como os desenvolvidos pela Embrapa, buscam introduzir variedades sem espinhos, tornando o manejo do pequi mais acessível e econômico, promovendo não só a cultura, mas também a sustentabilidade na colheita.
Assim, à medida que as chuvas trazem vida ao Cerrado, a expectativa cresce entre os brasilienses. A temporada do pequi não é apenas sobre a colheita, mas também sobre a celebração de um patrimônio cultural que une história, saberes locais e inovação.



