O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou, pela primeira vez, sua posição a favor da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos. A declaração veio durante uma entrevista à TV Globo na última quinta-feira (15), após a proposta do líder do PT no Senado, Camilo Santana, que gerou controvérsias dentro do próprio partido e no governo.
Dentre os crimes hediondos que estariam inclusos na proposta, estão homicídio qualificado, latrocínio, extorsão mediante sequestro e estupro. Esta mudança representa um desvio significativo da posição anteriormente defendida por Lula e por membros do governo, que tradicionalmente se opunham à redução da maioridade penal.
Ao responder a uma pergunta da jornalista Renata Lo Prete, Lula afirmou: “Eu sou favorável a diminuir a pena para crimes hediondos. Acredito que, enquanto cidadão, isso é o que deve ser feito”. A posição do presidente surpreendeu muitos observadores, já que ele normalmente foca seu discurso em segurança pública no combate ao crime organizado e na defesa da PEC da Segurança.
Entretanto, Lula deixou claro que a proposta de redução da maioridade penal não deve ser integrada à atual PEC da Segurança, que está em discussão no Congresso Nacional. Ele sugeriu que essa questão seja debatida separadamente, o que indica um esforço do governo para evitar mais divisões internas no Legislativo.
A proposta de Camilo Santana gerou um impasse no Senado, onde alguns membros do PT expressaram sua contrariedade à inclusão da redução da maioridade penal nas discussões em andamento. A falta de consenso resultou no adiamento da votação da PEC da Segurança, projetando incertezas em relação ao avanço das diretrizes do governo sobre segurança pública.
Atualmente, a Constituição brasileira estabelece a maioridade penal aos 18 anos, mas já existem propostas em tramitação que visam alterar essa idade. A questão se amplifica à medida que cresce o clamor popular por mudanças nas leis que regem a responsabilização criminal de adolescentes.



