Profissionais com trajetórias na Embrapa e na Universidade de Brasília conquistam reconhecimento nacional por pesquisas sobre saúde do solo, mudanças climáticas, biocombustíveis e conservação genética.
O Distrito Federal ganhou destaque em uma das mais importantes listas de reconhecimento feminino do agronegócio brasileiro. Quatro pesquisadoras com trajetórias ligadas a Brasília foram incluídas na segunda edição de As 100 Mulheres Poderosas do Agro, publicada pela Forbes Brasil em 15 de outubro de 2026, Dia Internacional da Mulher Rural.
O reconhecimento vai além dos números de uma lista. Ele evidencia a contribuição da ciência desenvolvida em instituições do Distrito Federal para desafios que ultrapassam as fronteiras do país, como a segurança alimentar, a preservação ambiental, a adaptação às mudanças climáticas e a busca por fontes de energia mais sustentáveis.
Entre as profissionais destacadas estão Iêda de Carvalho Mendes, Mercedes Bustamante, Simone Palma Favaro e Vânia Cristina Rennó Azevedo.
Com trajetórias diferentes, as quatro compartilham um elemento central: a dedicação à produção de conhecimento capaz de transformar a agricultura e contribuir para o futuro do planeta.
Conheça as quatro pesquisadoras reconhecidas pela Forbes
Iêda de Carvalho Mendes: ciência para proteger a saúde do solo
44ª posição — Embrapa Cerrados, Planaltina (DF)
A pesquisadora Iêda de Carvalho Mendes construiu sua trajetória científica estudando um recurso essencial para a produção de alimentos: o solo.
Vinculada à Embrapa Cerrados, localizada em Planaltina, no Distrito Federal, ela é reconhecida por suas contribuições ao desenvolvimento de tecnologias voltadas à avaliação da qualidade biológica dos solos agrícolas.
Seu trabalho está associado ao uso de indicadores capazes de revelar a atividade de organismos e processos biológicos que ajudam a manter a fertilidade e o equilíbrio do ambiente.
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Essas informações são importantes porque a produtividade agrícola não depende apenas da presença de nutrientes ou das características físicas do terreno.
A atividade biológica também desempenha um papel fundamental na ciclagem de nutrientes, na decomposição da matéria orgânica e no funcionamento dos sistemas agrícolas.
Ao contribuir para o desenvolvimento de métodos de avaliação da saúde do solo, Iêda ajuda a aproximar o conhecimento científico das decisões tomadas no campo.
O resultado é uma contribuição para práticas de manejo mais sustentáveis, com potencial para melhorar a conservação dos recursos naturais e a eficiência da produção.
Sua presença na lista também destaca a importância da Embrapa Cerrados, instituição que desenvolve pesquisas estratégicas para uma das regiões agrícolas mais relevantes do Brasil.
Mercedes Bustamante: referência internacional em clima e biodiversidade
70ª posição — Universidade de Brasília (UnB)
A professora e pesquisadora Mercedes Bustamante é um dos nomes de destaque da ciência brasileira nas áreas de ecologia, mudanças climáticas e conservação ambiental.
Com trajetória vinculada à Universidade de Brasília, desenvolve estudos que ajudam a compreender o funcionamento dos ecossistemas, especialmente do Cerrado, e suas relações com o clima.
Seu trabalho contribui para discussões sobre biodiversidade, emissões de gases de efeito estufa, uso da terra e impactos das atividades humanas sobre o meio ambiente.
Essas pesquisas são particularmente relevantes para o agronegócio porque a produção agrícola depende diretamente das condições climáticas, da disponibilidade de água, da qualidade dos solos e da estabilidade dos ecossistemas.
O avanço das mudanças climáticas impõe desafios crescentes ao setor, incluindo eventos extremos, alterações nos regimes de chuva e riscos à produtividade.
Nesse cenário, a produção científica de Mercedes contribui para orientar debates sobre sustentabilidade, conservação e políticas públicas.
O reconhecimento pela Forbes também valoriza o papel da Universidade de Brasília na formação de pesquisadores e na produção de conhecimento de relevância internacional.
Simone Palma Favaro: pesquisas com macaúba e combustíveis sustentáveis
90ª posição — Embrapa Agroenergia, Brasília (DF)
A pesquisadora Simone Palma Favaro atua em uma área que conecta agricultura, tecnologia e transição energética.
Vinculada à Embrapa Agroenergia, em Brasília, desenvolve pesquisas relacionadas ao aproveitamento da macaúba, uma palmeira brasileira que desperta interesse por seu potencial na produção de óleos e matérias-primas renováveis.
A planta é estudada como alternativa para diferentes aplicações industriais, incluindo a produção de biocombustíveis.
Entre as possibilidades investigadas está sua utilização em cadeias produtivas ligadas ao combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF, do inglês Sustainable Aviation Fuel.
A busca por combustíveis de menor impacto climático é um dos grandes desafios do setor de transportes, especialmente da aviação, que enfrenta dificuldades para substituir completamente os combustíveis líquidos convencionais.
Nesse contexto, matérias-primas agrícolas como a macaúba podem contribuir para diversificar as alternativas disponíveis.
Entretanto, o potencial de uma cultura para a produção de biocombustíveis depende de fatores como produtividade, viabilidade econômica, sustentabilidade do cultivo e processamento industrial.
O trabalho científico nessa área é essencial para avaliar essas condições e identificar oportunidades reais de inovação.
A inclusão de Simone na lista reforça a importância das pesquisas realizadas no Distrito Federal para o desenvolvimento de tecnologias voltadas à bioeconomia.
Vânia Cristina Rennó Azevedo: conservação genética para o futuro da alimentação
97ª posição — CGIAR, com formação na Universidade de Brasília
Nascida em Brasília e formada pela Universidade de Brasília, Vânia Cristina Rennó Azevedo desenvolveu uma carreira internacional ligada à conservação da diversidade genética de plantas utilizadas na agricultura.
Ela dirige os Bancos Genéticos Globais do CGIAR, uma rede internacional de pesquisa agrícola voltada à segurança alimentar e ao desenvolvimento de sistemas produtivos mais sustentáveis.
Os bancos genéticos conservam materiais vegetais, como sementes e outros recursos genéticos, que podem ser utilizados em pesquisas e programas de melhoramento de culturas agrícolas.
Essa diversidade é fundamental para o futuro da alimentação.
Em um cenário de mudanças climáticas, novas doenças e transformações ambientais, preservar diferentes variedades de plantas ajuda a manter alternativas para o desenvolvimento de cultivos mais resistentes e adaptados.
A conservação genética também contribui para proteger recursos que poderiam desaparecer em razão da perda de habitats, da substituição de variedades tradicionais e de outras pressões ambientais.
O trabalho de Vânia conecta a formação científica brasileira a uma rede de alcance mundial.
Sua presença na lista evidencia como profissionais com origem no Distrito Federal participam de decisões e projetos estratégicos para a agricultura global.
O que é a lista das 100 Mulheres Poderosas do Agro?
A seleção publicada pela Forbes Brasil reúne mulheres que exercem influência em diferentes áreas do agronegócio.
A segunda edição, divulgada em 15 de outubro de 2026, contempla trajetórias de produtoras rurais, cientistas, executivas e lideranças ligadas ao setor.
O objetivo é dar visibilidade à participação feminina em atividades que envolvem desde a produção de alimentos até a pesquisa científica, a gestão empresarial e a inovação tecnológica.
Segundo a descrição da publicação, a seleção considera aspectos como influência, impacto e capacidade de decisão.
As posições apresentadas identificam a ordem das profissionais na lista, mas não devem ser interpretadas como uma classificação objetiva de produtividade científica ou de desempenho individual.
As quatro pesquisadoras ligadas ao DF representam áreas complementares do conhecimento, demonstrando que o desenvolvimento do agronegócio envolve muito mais do que a produção dentro das propriedades rurais.
Por que a ciência desenvolvida no DF é tão importante para o agronegócio?
Embora Brasília seja frequentemente associada à política e à administração pública, o Distrito Federal também abriga instituições fundamentais para o desenvolvimento científico brasileiro.
A Universidade de Brasília e as unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) instaladas na região participam de estudos que influenciam a produção agrícola em diferentes partes do país.
Em Planaltina, a Embrapa Cerrados desenvolve pesquisas relacionadas aos sistemas produtivos e à sustentabilidade do bioma.
Na capital federal, a Embrapa Agroenergia investiga tecnologias e matérias-primas relacionadas à produção de energia e produtos de origem renovável.
Já a Universidade de Brasília reúne pesquisadores de diversas áreas, incluindo ecologia, biologia, agronomia e ciências ambientais.
Essas instituições contribuem para formar profissionais, desenvolver tecnologias e produzir informações que apoiam decisões públicas e privadas.
O reconhecimento das quatro pesquisadoras demonstra que parte das respostas para os desafios do agronegócio brasileiro está sendo construída em laboratórios, universidades e centros de pesquisa do Distrito Federal.
Mulheres na ciência: reconhecimento que inspira novas gerações
A presença de Iêda, Mercedes, Simone e Vânia na seleção também reforça a importância da participação feminina na ciência.
Historicamente, mulheres enfrentaram barreiras para ocupar espaços de liderança acadêmica, científica e tecnológica.
Embora tenham ocorrido avanços, ampliar oportunidades e reconhecer trajetórias femininas continua sendo uma questão relevante para instituições de pesquisa e para o setor produtivo.
Dar visibilidade a essas profissionais também contribui para inspirar meninas e jovens interessadas em carreiras ligadas à ciência, à tecnologia, à agricultura e à sustentabilidade.
As histórias das quatro pesquisadoras mostram que existem diferentes caminhos para transformar o futuro da produção de alimentos.
Alguns passam pelo estudo dos microrganismos presentes no solo. Outros, pela compreensão das mudanças climáticas, pelo desenvolvimento de combustíveis renováveis ou pela preservação de sementes que poderão ser essenciais para as próximas gerações.
De Brasília para o mundo
O reconhecimento concedido pela Forbes Brasil reúne quatro trajetórias distintas, mas conectadas por um propósito comum: utilizar o conhecimento científico para enfrentar desafios reais da sociedade.
Iêda de Carvalho Mendes contribui para uma agricultura que compreende e protege a vida presente no solo.
Mercedes Bustamante amplia o conhecimento sobre o clima, a biodiversidade e o Cerrado.
Simone Palma Favaro investiga possibilidades de transformar recursos vegetais em soluções energéticas.
Vânia Cristina Rennó Azevedo atua na conservação de recursos genéticos fundamentais para a segurança alimentar mundial.
Da Embrapa Cerrados, em Planaltina, aos centros internacionais de conservação genética, essas mulheres demonstram que a ciência ligada ao Distrito Federal tem alcance muito além de Brasília.
O reconhecimento não celebra apenas carreiras individuais. Também destaca o papel da pesquisa, da educação e da inovação na construção de um agronegócio mais sustentável e preparado para os desafios do futuro.



