O Banco de Brasília (BRB), controlado pelo Governo do Distrito Federal, recebeu nesta sexta‑feira (10) uma oferta de aproximadamente R$ 15 bilhões para a venda de ativos que pertenciam ao extinto Banco Master, segundo anunciou a governadora do DF, Celina Leão (PP). Parte do valor — cerca de R$ 4 bilhões — seria pago à vista, com o restante estruturado por meio de instrumentos financeiros vinculados aos próprios ativos negociados.

Em publicação nas redes sociais, a governadora informou que a proposta será encaminhada ao Banco Central do Brasil (BC) para análise e eventual aprovação. Leão ressaltou que a operação não envolve aporte de recursos públicos nem compromete o caixa do banco, afirmando que a negociação observa responsabilidade e foco na preservação dos interesses do Distrito Federal.

Os ativos em questão são oriundos de carteiras adquiridas pelo BRB do Banco Master, instituição que entrou em liquidação extrajudicial após fraudes e irregularidades financeiras terem sido identificadas pela autoridade monetária e pela Polícia Federal. A aquisição dessas carteiras tem sido apontada como um dos fatores que precipitaram dificuldades financeiras no banco estatal distrital nos últimos meses — desafios que levaram a iniciativas para recompor o capital da instituição.

Nos primeiros meses de 2026, o BRB apresentou ao BC um plano de capital destinado a recompor seu balanço, diante do impacto de perdas relacionadas à exposição ao Master. O pacote de medidas inclui a possibilidade de venda de ativos, empréstimos junto a outras instituições e, em última instância, aporte de recursos do próprio GDF, caso se comprove essa necessidade, dentro de prazo e regras estabelecidos pelos órgãos reguladores.

A situação envolvendo os ativos do Master também motivou mudanças administrativas no BRB. Recentemente, a governadora determinou o afastamento de 12 diretores da instituição ligados à gestão anterior, que estava à frente das negociações que envolveram a compra de ativos do Master, como forma de preservar a integridade das investigações em curso.

Especialistas do mercado financeiro destacam que uma operação dessa magnitude, se aprovada pelo BC, pode impactar a estrutura de capital do BRB e sua posição competitiva no sistema financeiro nacional. A transação também poderia sinalizar confiança de investidores externos no valor recuperável dos ativos herdados do Master — uma avaliação que caberá ao regulador e às partes envolvidas nas próximas etapas.

O desfecho da negociação e a eventual aprovação pelo Banco Central terão desdobramentos tanto para a saúde financeira da instituição quanto para o cenário econômico do Distrito Federal, que acompanha de perto a recomposição do banco público após perdas e incertezas ligadas ao episódio Master.