Nos últimos dias de abril de 2026, o dólar comercial voltou a se aproximar da marca de R$ 5,00 no Brasil, registrando mínimos próximos de R$ 5,005 durante o pregão, patamar não observado desde 2024 e refletindo uma combinação de fatores domésticos e internacionais que influenciam o mercado cambial.

A cotação de uma moeda como o dólar frente ao real é definida no regime de câmbio flutuante, no qual o valor resulta da interação entre oferta e demanda no mercado de divisas. Ou seja, quando há mais compradores de dólares em relação à oferta, a moeda tende a subir — e vice‑versa.

Principais fatores que fazem o dólar subir ou cair

1. Oferta e demanda de dólares
A relação entre oferta e demanda é central para a formação da cotação: se investidores e empresas demandam mais dólares (para pagar importações ou movimentar capital ao exterior), a cotação sobe; quando há maior oferta — por exemplo, entrada de capital estrangeiro — a moeda americana tende a cair frente ao real.

2. Juros domésticos e internacionais
As diferenças entre as taxas de juros do Brasil e de outras economias, especialmente dos Estados Unidos, influenciam o câmbio. Taxas de juros elevadas no Brasil, como a Selic por volta de 14,75%, tornam aplicações em reais mais atraentes para investidores estrangeiros, o que pode aumentar a entrada de dólares e fortalecer o real.
Por outro lado, quando o Federal Reserve (banco central dos EUA) aumenta seus juros, o dólar tende a ganhar força globalmente, o que pode pressionar moedas emergentes como o real.

3. Cenário internacional e risco global
Crises, conflitos geopolíticos ou incertezas econômicas podem elevar a demanda por dólar como “porto seguro”, fazendo a moeda subir. Em 2026, episódios relacionados ao conflito no Oriente Médio e expectativas de cessar‑fogo influenciaram tanto mercados financeiro quanto câmbio, contribuindo para oscilações.

4. Fluxo de capital estrangeiro
Quando há maior apetite por ativos brasileiros (ações ou títulos públicos), há entrada de recursos que são convertidos em reais, o que tende a fortalecer a moeda local e provocar queda do dólar. No contexto recente, essa dinâmica esteve associada à valorização do real e ao movimento de investidores em busca de retorno em mercados emergentes.

5. Balança comercial e preços de commodities
O Brasil é um grande exportador de commodities. Quanto mais forte for o ciclo das exportações, maior tende a ser a entrada de dólares no país, impactando positivamente a oferta da moeda e pressionando a cotação para baixo.

Como esses fatores refletem na economia brasileira

Oscilações no dólar têm impacto direto sobre a inflação de preços de produtos importados, custos de viagens internacionais e custos para empresas que dependem de insumos estrangeiros. Um dólar mais alto eleva o preço de bens importados e pressiona a inflação, enquanto um dólar mais baixo pode reduzir esses custos, mas também reduzir ganhos de exportadores.

Além disso, movimentos cambiais afetam investidores: quando o dólar cai, investidores que aplicam em ativos atrelados à moeda americana podem ver retornos diferentes em reais, enquanto empresas exportadoras podem ter receitas menores em moeda local.

Perspectiva e volatilidade

Embora o dólar tenha se aproximado de R$ 5,00 em 2026, analistas destacam que o câmbio pode continuar volátil diante de eventos políticos, decisões de política monetária — tanto no Brasil quanto no exterior — e condições de risco global, elementos que demandam acompanhamento constante por parte de empresas e consumidores.