O avanço da inteligência artificial trouxe novas possibilidades — mas também ampliou riscos, especialmente para mulheres expostas a crimes digitais. Diante desse cenário, o O Boticário lança o movimento Code Her, uma iniciativa que une tecnologia e informação para conscientizar e apoiar vítimas de manipulação de imagens na internet.

A ação nasce em resposta a um dado alarmante: denúncias de misoginia, violência e discriminação contra mulheres cresceram mais de 200% em um ano, segundo a ONG SaferNet. Parte desse aumento está relacionada ao uso indevido de inteligência artificial para alterar e sexualizar imagens sem consentimento.

Como resposta, o projeto apresenta um bot desenvolvido para atuar diretamente na rede social X (antigo Twitter). A ferramenta permite que usuárias monitorem suas próprias fotos: ao publicar uma imagem, basta marcar o perfil do bot para que ele acompanhe possíveis tentativas de manipulação por IA. Caso isso aconteça, a tecnologia impede a exibição da imagem alterada e envia um alerta com orientações sobre como agir.

Além do recurso tecnológico, o movimento também aposta na informação como ferramenta de proteção. Uma cartilha digital reúne orientações práticas e detalha os caminhos legais disponíveis para denúncia, incluindo legislações brasileiras que tratam de crimes digitais e violência contra a mulher.

A iniciativa integra uma estratégia mais ampla da marca de ampliar seu papel em debates sociais, conectando tecnologia, comportamento e segurança digital. A campanha conta ainda com conteúdos protagonizados pela cantora Marina Sena e pela jornalista Rose Leonel, referência na luta contra a exposição não autorizada de imagens íntimas.

Ao utilizar a própria inteligência artificial como aliada, o movimento propõe uma inversão importante: transformar uma tecnologia muitas vezes associada a riscos em uma ferramenta de proteção, informação e autonomia.

Mais do que uma campanha, a proposta abre espaço para um debate urgente sobre segurança digital e reforça a importância de garantir que o controle sobre a própria imagem continue sendo um direito de todas as mulheres.