Após a aprovação do nome de Daniel Perez pelo Senado dos Estados Unidos para ser embaixador no Brasil, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que a análise da indicação será adiada para depois das eleições. Assessores presidenciais afirmam que a decisão de não conceder imediatamente o agrément, permissão necessária para a nomeação, é uma forma de não ceder à pressão americana.
A postura do governo brasileiro foi reforçada após uma escalada nas relações bilaterais, evidenciada pela revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Esta medida foi apresentada como uma resposta à morosidade na concessão da autorização para Perez, indicando um aumento nas tensões diplomáticas.
Daniel Perez, um parlamentar da Flórida e identificado como filho de imigrantes cubanos, foi indicado à embaixada americana durante o governo de Donald Trump. A falta de consulta formal ao Brasil antes da indicação também gerou descontentamento no Itamaraty, que esperava um processo mais tradicional de alinhamento diplomático.
Diplomatas brasileiros veem a ação do governo dos EUA como um movimento que dificulta a possibilidade de concessão rápida do agrément a Perez, o que tornaria a resolução da crise diplomática ainda mais complicada antes das eleições presidenciais brasileiras, marcadas para outubro.
A questão do agrément é delicada, pois não existe um prazo estabelecido pela Convenção de Viena para sua concessão. Por esse motivo, qualquer pressão externa é interpretada com cautela, e o governo Lula se posiciona firme em suas decisões voltadas à política externa.
Diante desse cenário, a avaliação no Palácio do Planalto é de que a indicativa de Perez, feita em um contexto de tensões comerciais entre Brasil e EUA, faz parte de uma estratégia americana para influenciar o clima eleitoral no país.
