A escritora, jornalista e roteirista Eliana Alves Cruz levantou um importante questionamento sobre a ausência de autoras negras no Prêmio Jabuti, um dos mais renomados do Brasil. A criatividade e a luta por visibilidade dessas autoras, muitas vezes ignoradas, foram tema central em suas reflexões.
Desde jovem, Eliana sempre sonhou em ser escritora, mas enfrentou desafios que a levaram a acreditar que sua paixão pela escrita não poderia se tornar uma carreira. Sua relação com a literatura começou em casa, com influências de familiares que adoravam contar histórias. Após uma fase de adoecimento devido ao estresse profissional, ela decidiu se dedicar à literatura, culminando na publicação de seu primeiro livro, Água de Barrela.
Compradora do primeiro Jabuti na categoria de Romance, Eliana fez história ao se tornar a primeira mulher negra a vencer na 68ª edição do prêmio. Em suas palavras, essa conquista deveria causar estranheza, pois talentosas escritoras negras, como Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo, deveriam ter recebido reconhecimento similar antes. O que indica uma questão maior sobre a representatividade e a inclusão na literatura brasileira.
Suas obras trazem à tona temas como o racismo e a escravidão, buscando explorar a experiência negra no Brasil de maneira realista e impactante. Eliana também reforçou a importância da escrita como um meio de deixar um legado cultural e histórico para as futuras gerações. Com seu livro mais recente, Meridiana, ela não apenas conquistou o segundo Jabuti, mas também o Prêmio Guimarães Rosa, demonstrando seu crescimento e reconhecimento no cenário literário.
Além de escritora, Eliana é apresentadora do programa Trilha de Letras e espera que a produção retorne à grade da TV Brasil. Em suas entrevistas, ela encoraja jovens escritores negros a persistirem em suas escritas, destacando que a resistência e a busca pela própria voz são cruciais no caminho da literatura.



