Na noite de encerramento da 28ª edição do Festival do Rio, o cinema nacional se destacou com a premiação de dois longas-metragens. A Margem do Rio, dirigido por Enock Carvalho e Matheus Farias, foi eleito o melhor longa-metragem de ficção, enquanto Elza, de Eryk Rocha, levou o prêmio de melhor longa-metragem documentário.
O festival deste ano, que atraiu mais de 150 mil espectadores, ocorreu em várias salas da cidade e foi encerrado no tradicional Cine Odeon. Além dos grandes premiados, a cerimônia destacou a diversidade de narrativas que refletem realidades sociais e culturais do Brasil.
A vitória de Elza foi celebrada especialmente pela sua estreia mundial no festival. O diretor Eryk Rocha, filho do renomado cineasta Glauber Rocha, expressou sua emoção ao receber o prêmio. Ele destacou o longo processo de produção que envolveu anos de filmagem ao lado de Elza Soares, uma das vozes mais icônicas da música brasileira.
Eryk ressaltou que o documentário é uma reflexão sobre a trajetória da cantora, ligando sua história à luta das mulheres negras no Brasil. A narrativa integra memória, música e imagens de arquivo, criando um painel rico sobre as transformações sociais do país.
O festival também proporcionou um espaço importante para discussões sobre acessibilidade nas artes. Victor di Marco, premiado como melhor ator por seu papel em London, aproveitou a tribuna para abordar as dificuldades enfrentadas por artistas com deficiência no setor audiovisual, defendendo maior representação nas telas.
Com um total de 101 filmes brasileiros exibidos, o festival reafirmou sua importância como plataforma para o cinema nacional, promovendo um ambiente de diálogo entre realizadores, profissionais e o público. Entre os outros premiados, Isabel Teixeira e Grace Passô dividiram o prêmio de melhor atriz, dando destaque à força do talento feminino nas artes.



