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No coração do Brasil, comunidades tradicionais do Cerrado como os kalunga compartilham saberes ancestrais que garantem a preservação do bioma. Alciléia Torres, uma quilombola da comunidade Vão de Almas, destaca o papel vital da natureza em sua vida e na de sua comunidade.

Alciléia explica que a prática da “roça de toco”, uma técnica agrícola sustentável, é uma forma de manter o Cerrado saudável. Ao preservar o toco das árvores durante o cultivo, o solo se renova naturalmente, evitando o uso de agrotóxicos e respeitando o ciclo da vida. “Quando olhamos para aquele espaço, nem imagina-se que foi tocado”, afirma.

Em São Sebastião, a raizeira Josefa Ataídes, de 69 anos, conta como seu amor pelo Cerrado a motiva a cultivar plantas medicinais nativas. Ao encontrar seu terreno desmatado em 2020, ela plantou mais de 300 espécies do bioma para restaurar a área. Para ela, essa relação com a natureza é essencial para a saúde e bem-estar da comunidade.

Da mesma forma, a luta de Irémirí Luvan Tukano e sua mãe, Assunta Dessana, na terra indígena Santuário dos Pajés, destaca a importância da preservação das florestas para todos os seres. Irémirí acredita que a conservação é uma responsabilidade coletiva, enfatizando que todos respiramos o mesmo ar e precisamos ser cuidadosos com o ambiente ao nosso redor.

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O Ministério do Meio Ambiente reconhece essas comunidades como protagonistas na conservação do Cerrado, enfatizando que seus saberes e práticas estão alinhados com o que há de mais efetivo no manejo sustentável do bioma. Para a antropóloga Braulina Baniwa, esses conhecimentos ancestrais são fundamentais para um futuro sustentável, pois a identidade de nossos povos está intrinsicamente ligada à natureza.

Por fim, com o Cerrado enfrentando altos índices de desmatamento, as histórias e práticas dessas comunidades mostram que existe esperança na luta pela preservação. A conexão entre a cultura local e a natureza serve como exemplo para Brasília e todo o Distrito Federal, onde a conscientização sobre a importância da conservação ambiental se torna cada vez mais urgente.