Mostras de Rafael de Almeida e Abraão Veloso apresentam diferentes olhares sobre território, masculinidade, afetividade e memória; visitação é gratuita até 12 de setembro

A relação entre território, memória e identidade está no centro de duas exposições inéditas que ocupam a Cerrado Cultural, no Lago Sul. A partir de diferentes linguagens e perspectivas, os artistas goianos Rafael de Almeida e Abraão Veloso apresentam trabalhos que dialogam com experiências do Centro-Oeste e com questões que atravessam a vida contemporânea.

As mostras “Antes do couro ceder”, de Rafael de Almeida, e “Um abraço em um fio de lã”, de Abraão Veloso, foram abertas no último sábado (15) e permanecem em cartaz até 12 de setembro, com entrada gratuita. A abertura reuniu artistas, curadores, colecionadores e convidados de diferentes regiões.

No térreo da galeria, “Antes do couro ceder” apresenta um percurso pelo imaginário do Cerrado a partir da produção de Rafael de Almeida. Com curadoria do jornalista e crítico italiano Matteo Bergamini, a exposição combina cianotipia, arquivos reais, imagens geradas por inteligência artificial, colagens e pintura a óleo.

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O conjunto de trabalhos tensiona a figura do cowboy e os modelos de masculinidade associados ao cotidiano rural, ao mesmo tempo em que estabelece uma relação direta com a paisagem e as experiências do território.

Durante a abertura, Rafael destacou a conexão pessoal com o Cerrado e a importância de compartilhar o trabalho com o público. Para o artista, a exposição nasce de uma relação profunda com a terra e com as memórias construídas nesse espaço.

No piso superior, “Um abraço em um fio de lã”, de Abraão Veloso, apresenta obras produzidas entre 2024 e 2026. Com curadoria do artista e pesquisador Divino Sobral, a exposição articula pintura, tecelagem e crochê para retratar jovens negros e integrantes da comunidade LGBTQIAP+ em momentos de intimidade, pausa e afeto.

O trabalho também recupera fazeres manuais e memórias familiares, criando uma atmosfera marcada pela proximidade e pela celebração da vida. Na abertura, Abraão definiu a mostra como um convite à alegria, ao afeto e ao acolhimento.

Dois olhares sobre identidade

Embora apresentem propostas e técnicas distintas, as duas exposições estabelecem um diálogo a partir de elementos ligados à identidade e à experiência de viver no Centro-Oeste.

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Enquanto Rafael parte do universo rural, da paisagem do Cerrado e das construções relacionadas à masculinidade, Abraão utiliza tecidos, linhas e pinturas para abordar intimidade, afetividade, representatividade e memórias compartilhadas.

A presença de diferentes técnicas também amplia a experiência do visitante. Em uma das exposições, materiais fotográficos e recursos contemporâneos se misturam à pintura; na outra, práticas artesanais tradicionais convivem com a linguagem da arte contemporânea.

Visitação gratuita

As duas exposições podem ser visitadas até 12 de setembro, na Cerrado Cultural, no Lago Sul. O espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 13h.