Colo, toque e presença ajudam na relação entre pais e filhos, mas dividir a mesma cama não é necessário para construir vínculo; especialistas recomendam espaço próprio para o sono do bebê
Colocar o bebê pertinho, fazer carinho, conversar baixinho e aproveitar aquele colo antes de dormir são momentos que fazem parte da rotina afetiva de muitas famílias. Mas uma dúvida costuma surgir principalmente nos primeiros meses: é preciso dormir junto com o bebê para fortalecer o vínculo?
A resposta exige uma distinção importante.
A proximidade física pode fazer parte dos momentos de cuidado e conexão entre pais e filhos, mas a construção do vínculo não depende de dividir a mesma cama durante a noite. Ela acontece ao longo do tempo, nas inúmeras interações cotidianas: acolher o choro, alimentar, conversar, brincar, tocar, fazer contato pele a pele e responder às necessidades da criança.
Quando chega a hora de dormir, a prioridade passa a ser também criar um ambiente seguro.
Perto dos pais, mas em espaço próprio
A recomendação da Academia Americana de Pediatria (AAP) é que, nos primeiros meses, o bebê durma no mesmo quarto dos pais, porém em uma superfície separada e apropriada para o sono infantil, como berço ou moisés.
A orientação é manter essa organização idealmente por pelo menos os primeiros seis meses de vida, período em que o risco de mortes relacionadas ao sono é mais elevado.
Além de manter o bebê próximo, essa configuração facilita alimentação, conforto e monitoramento durante a noite.
Como deve ser o lugar onde o bebê dorme?
Para reduzir o risco de sufocamento e outras mortes relacionadas ao sono, as recomendações de segurança orientam colocar o bebê de barriga para cima em todas as sonecas e durante o sono noturno.
Publicidade
A superfície deve ser firme, plana e não inclinada, com colchão adequado ao berço ou moisés e apenas um lençol ajustado.
O espaço de sono deve ficar livre de objetos macios ou soltos.
Isso significa evitar:
- travesseiros;
- mantas e cobertores soltos;
- protetores de berço;
- bichos de pelúcia;
- almofadas;
- brinquedos e outros objetos macios.
A orientação vale mesmo quando os itens parecem deixar o berço mais confortável. Superfícies macias e objetos soltos podem aumentar os riscos de sufocamento, aprisionamento e outras ocorrências durante o sono.
E o colo antes de dormir?
Pode continuar fazendo parte da rotina.
Embalar, amamentar, conversar, cantar ou simplesmente permanecer com o bebê no colo podem proporcionar momentos importantes de contato entre adulto e criança.
O cuidado maior aparece quando existe a possibilidade de o adulto adormecer enquanto segura o bebê.
Sofás e poltronas merecem atenção especial. A AAP alerta que esses locais são particularmente perigosos quando um adulto adormece com um bebê, devido ao risco de sufocamento, aprisionamento entre almofadas ou de o corpo do adulto se sobrepor ao da criança.
Se o bebê for levado para a cama dos pais para mamar ou receber conforto, a orientação é colocá-lo novamente em seu próprio espaço de sono quando o adulto estiver pronto para dormir.
Afeto e segurança podem andar juntos
Manter práticas de sono seguro não significa criar distância emocional.
O bebê pode estar perto dos pais durante a noite, receber colo, carinho, alimentação e conforto e, na hora de dormir, ser colocado em um espaço próprio e adequado.
A construção do vínculo é muito maior do que a maneira como a família organiza a cama. Ela acontece repetidamente, nos pequenos cuidados oferecidos todos os dias.
Conteúdo informativo. Situações individuais e dúvidas sobre o sono do bebê devem ser discutidas com o pediatra.


