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Tite Kubo se redime em Bleach: Thousand-Year Blood WarReprodução

Os fãs de anime mais veteranos certamente já ouviram falar sobre a má fama de Bleach. Embora isso se dê essencialmente por culpa do final do mangá, esse sentimento também nasce de várias questões relacionadas ao anime, como a quantidade exagerada de episódios fillers e arcos que ficavam muito aquém da jornada de Ichigo Kurosaki como protagonista. Todos os problemas da adaptação conseguiram ser ofuscados ainda pelo desfecho apressado — e por vezes sem sentido — do arco final. Entretanto, o autor Tite Kubo teve a oportunidade de refazer essa rota, reconquistando a confiança em seu trabalho.

Em Thousand-Year Blood War (ou Guerra Sangrenta de Mil Anos, em tradução livre), reencontramos versões adultas dos personagens humanos, enquanto os shinigami (ou Ceifeiros de Alma, se preferir) permaneceram os mesmos em vários sentidos – o que tornou o perigo que estava por vir ainda mais urgente. Como era dito nas canções proféticas, “o confinado rei Quincy recupera seu pulso após 900 anos, sua mente após 90 anos, sua força após 9 anos, e o mundo em 9 dias”. Quando o dia de seu retorno chegou, uma força sem precedentes atingiu a Sociedade das Almas, matando diversos aliados e obrigando Ichigo a retornar para o além vida.

É neste momento que a estagnação dos shinigami entra em evidência. Seu poder já não era o bastante para conter os novos inimigos, que tiveram séculos para estudar suas fraquezas. No anime, essa adaptação fica ainda mais brutal e bem dirigida – qualidade que se manteve em evidência do início ao fim da guerra, dividida em quatro partes. Diferentes diretores passaram pelos 50 episódios de Bleach nesse meio tempo, adicionando diferentes — e boas — perspectivas ao universo. Porém, o destaque real sempre fica para as Ban-kai, o principal poder do anime.

Como em todo shonen de batalha, os personagens mais fortes conseguem acessar um poder que aumenta suas forças de maneira colossal, como o modo Super Saiyajin de Dragon Ball, a megaevolução de Pokémon, ou o Modo Sábio de Naruto. Por ter tanta importância na obra, esse poder ganhou mais atenção das equipes de animação e do próprio Tite Kubo, que desta vez participou como supervisor geral do anime e incluiu ainda mais detalhes na obra.

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Mas nem só de animação e sakuga vive um anime, o roteiro importa tanto quanto. Se o final do mangá foi ruim, o autor e os roteiristas fizeram um trabalho hercúleo para torná-lo mais coerente e robusto – e conseguiram. O resultado foi um arco ainda mais expandido, com cenas repensadas, criadas do zero e algumas até descartadas. Ainda assim, isso não foi o bastante para fazer de Thousand-Year Blood War um anime perfeito. Algumas pontas continuam soltas enquanto outros momentos ficam totalmente a cargo da interpretação do autor.

Entretanto, o anime encerra sua jornada com mais pontos positivos do que negativos, provando que Tite Kubo ainda é capaz de produzir uma obra digna de estar no “big three” tanto dos mangás quanto das animações. E é assim que Bleach termina: catártico e tão popular quanto quando começou — que bom estar aqui para ver o final dessa jornada, não é mesmo?