Mudança da sigla de SOP para SOMP reforça que a síndrome vai muito além da saúde reprodutiva, envolvendo alterações hormonais, metabólicas e aumento do risco cardiovascular.
Durante muitos anos, a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) foi associada principalmente à presença de múltiplos cistos nos ovários. No entanto, especialistas alertam que essa visão limitada pode atrasar o diagnóstico e o tratamento de uma condição que afeta diferentes sistemas do organismo.
A atualização da nomenclatura para Síndrome Ovário-Metabólica Policística (SOMP) busca justamente refletir um entendimento mais amplo da doença. A mudança destaca que as alterações nos ovários representam apenas uma parte do problema e que a síndrome também está relacionada a distúrbios hormonais, metabólicos e cardiovasculares que podem acompanhar a paciente ao longo da vida.
Embora o ultrassom seja um exame importante, ele não deve ser utilizado isoladamente para confirmar ou descartar o diagnóstico.
Isso porque nem todas as mulheres com SOMP apresentam ovários com aspecto policístico, enquanto muitas mulheres sem a síndrome podem apresentar essa característica sem desenvolver a doença.
O diagnóstico leva em consideração um conjunto de fatores clínicos e laboratoriais, como irregularidade menstrual, sinais de excesso de hormônios androgênicos — incluindo acne, aumento da oleosidade da pele e crescimento excessivo de pelos — além de exames hormonais e avaliação médica completa.
Segundo especialistas, concentrar a investigação apenas nos ovários pode fazer com que alterações importantes passem despercebidas.
Apesar de ser frequentemente lembrada por sua relação com dificuldades para engravidar, a SOMP está associada a diversos impactos na saúde geral da mulher.
Entre eles estão a resistência à insulina, o aumento do risco de diabetes tipo 2, alterações nos níveis de colesterol, hipertensão arterial, inflamação crônica de baixo grau e maior probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares.
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Além das manifestações físicas, muitas pacientes também convivem com ansiedade, depressão, alterações na autoestima e dificuldades relacionadas à imagem corporal, tornando o acompanhamento multidisciplinar ainda mais importante.
Reconhecer a síndrome nos primeiros sinais permite iniciar mudanças no estilo de vida e tratamentos capazes de reduzir complicações futuras.
A prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, controle do peso, acompanhamento ginecológico e endocrinológico e, quando necessário, o uso de medicamentos fazem parte das estratégias para controlar os sintomas e reduzir riscos metabólicos.
Como a síndrome se manifesta de maneiras diferentes em cada mulher, o tratamento deve ser individualizado e considerar tanto os sintomas quanto os objetivos de cada paciente, como controle hormonal, melhora metabólica ou planejamento reprodutivo.
A adoção da sigla SOMP representa mais do que uma atualização terminológica. Ela traduz uma mudança na forma de compreender a doença e reforça a necessidade de uma avaliação clínica completa, que vá além dos exames de imagem.
Ao reconhecer que a síndrome envolve diferentes aspectos da saúde, especialistas esperam ampliar a conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo. Mais do que preservar a fertilidade, o tratamento adequado contribui para prevenir complicações metabólicas e cardiovasculares, promovendo mais qualidade de vida e bem-estar ao longo dos anos.
