Imagem ilustrativa da matéria

O filme Quién Mato a Narciso?, inspirado na trágica história do locutor paraguaio Bernardo Aranda, está em destaque no Bonito CineSur, festival que acontece no Mato Grosso do Sul. O longa, que aborda as atrocidades da ditadura militar paraguaia, ganhou o Prêmio de Melhor Filme da Mostra Panorama do Festival de Berlim, refletindo a busca por justiça em narrativas que ainda ecoam na América do Sul.

Durante 35 anos sob o regime do general Alfredo Stroessner, o Paraguai foi palco de violências como torturas, prisões arbitrárias e assassinatos. Estima-se que cerca de 20 mil pessoas foram presas e 60 foram mortas neste período, com grupos LGBTQI+ entre os mais afetados. O assassinato de Aranda, em 1959, é um dos exemplos mais emblemáticos, nunca solucionado e possivelmente orquestrado pelo governo militar.

Diro Romero, ator que interpreta Narciso no filme, fez um apelo para que a sociedade não esqueça essas histórias, ressaltando que muitos crimes ainda permanecem sem respostas. Segundo ele, a experiência cinematográfica deve transmitir a importância da união entre os países sul-americanos para que atrocidades similares não se repitam.

Além de abordar o passado sombrio, Quién Mato a Narciso? também marca um novo capítulo para o cinema paraguaio. Com a implementação de políticas para incentivar a produção audiovisual, o país tem visto crescimento no setor, permitindo que diversas histórias sejam contadas e que novos talentos surjam.

Nova Gestão do GDF

Publicidade

Celso Franco, ator e produtor paraguaio, destaca o impacto de filmes como 7 Caixas, que abriram portas para uma nova onda de produções locais. A evolução das regulamentações junto à criação de instituições específicas demonstra um fortalecimento no cenário cultural do Paraguai, trazendo esperança de que mais narrativas relevantes ganhem espaço nos cinemas.