O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) determinou que Lauro Estevão Vaz Curvo, ex-médico acusado de provocar o incêndio que resultou na morte de sua mãe, Zely Alves Curvo, de 94 anos, será julgado pelo Tribunal do Júri. O crime ocorreu em maio de 2024, no apartamento onde ambos moravam, em Águas Claras.
Decisão judicial e indícios de premeditação
A decisão foi proferida no último dia 17 de maio, e além de encaminhar o caso para júri popular, o juiz responsável determinou a manutenção da prisão preventiva de Lauro, destacando os fortes indícios de autoria, a gravidade dos fatos e o risco de fuga.
Segundo a Polícia Civil, a perícia concluiu que o fogo começou na maca onde a vítima estava deitada e descartou qualquer possibilidade de acidente elétrico ou curto-circuito. Imagens de câmeras de segurança mostram Lauro deixando o imóvel minutos antes do início das chamas e retornando várias vezes ao local, mesmo após o isolamento da área pela equipe de resgate.
Investigação e provas contra o acusado
Durante as investigações, a polícia encontrou tíner no veículo do acusado, uma substância inflamável que pode ter sido utilizada para iniciar o fogo. Além disso, buscas suspeitas em seu celular, como “mortes trágicas de artistas”, reforçam a hipótese de premeditação.

O histórico de Lauro também pesa contra ele. O ex-médico já havia perdido o registro profissional após ser condenado por abuso sexual de pacientes entre 2009 e 2010. Em 2023, foi alvo de denúncias por abandono da mãe no Hospital Militar, onde se recusou a buscá-la após a alta médica.
Agora, ele é réu por feminicídio contra idosa em condição de vulnerabilidade, uma das qualificadoras do crime de homicídio previstas no Código Penal Brasileiro.
Julgamento e repercussão
A Justiça ainda não definiu a data do julgamento, mas a manutenção da prisão preventiva indica que o Judiciário enxerga riscos à ordem pública e à regularidade do processo, caso o acusado responda em liberdade.
O caso, que chocou os moradores de Águas Claras, levanta novamente o debate sobre violência familiar, abandono de idosos e a necessidade de proteção legal às pessoas em situação de vulnerabilidade.
Com informações do TJDFT.
